11 de maio

O Elo Materno

Antes que Eu te formasse no ventre materno, Eu te conheci. Jeremias 1:5.

Um artigo numa revista de circulação nacional relatava que as mulheres que dão à luz carregam as células fetais da criança ao longo da vida. Por sua vez, a criança carrega células aleatórias de sua mãe. Essas células são trocadas através da placenta, durante a gestação.

Devido a esse intercâmbio de células, as mães têm uma ligação tangível e vitalícia com as crianças que geraram. E a criança, menino ou menina, tem um verdadeiro elo com sua mãe biológica. Essa descoberta explica as histórias das "velhinhas" acerca de conexões quase telepáticas entre mães e seus filhos. Isso é geralmente explicado por cientistas como o "argumento nutrição/ambiente", em vez de ser um verdadeiro elo, um fato físico.

Psicólogos e sociólogos também atribuem freqüentemente a relação quase telepática entre mães e filhas à "experiência feminina compartilhada". Embora isso possa contribuir para o fenômeno, começa em nível molecular, com células trocadas e intercambiadas. O que ajuda a explicar por que mulheres que sofreram abortos lamentam a perda do feto como se fosse uma pessoa completa.

O fato de que alguns homens carecem de uma firme identificação com seus filhos pode também ser explicado pelo fato de que não passam por esse intercâmbio vitalício de células com sua prole. E é possível que a mulher capaz de abandonar ou matar seus filhos sem remorso não tenha em seu organismo as células intercambiadas – possivelmente através de uma destruição antígena das "células invasoras" fetais.

Fico maravilhada diante do fato de Deus não ter deixado nada ao acaso, diante de quão cabal e completamente cada aspecto da nossa vida foi levado em consideração e preparado nas próprias células do nosso ser. Descobertas como esta dirigem nosso olhar para o alto, em amor e adoração ao nosso Deus amorável e onisciente. Na verdade, "Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu Te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas!" (Salmo 139:13, 14, NVI). "Em secreto fui formado e entretecido" (v. 15, NVI).

Darlenejoan McKibbin Rhine


12 de maio

Desbravando Novo Território

Mas eu digo a vocês que estão Me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Lucas 6:27, 28, NVI.

Não faz muito tempo, encontrei-me numa situação que se revelou extremamente desconfortável. "Não posso imaginar que alguém não goste de você", disse uma colega, dando-me um verdadeiro elogio. Mas não era esse o caso. Descobri que alguns dos meus colegas não gostavam de mim, não por causa de alguma falha minha, apontada pelo patrão, mas simplesmente por causa de ciúme. "Encare o fato, Curry", disse-me ele um dia. "Você assumiu espontaneamente grandes desafios e se saiu bem. Alguns indivíduos não gostam disso. Além do mais", acrescentou ele, "você é honesta – e há quem não goste disso!" Tentar conquistar popularidade entre as pessoas não era a minha meta, mas desejar genuinamente que esses maus sentimentos contra mim cessassem, era. Então falei com meu Pai. "O que posso fazer de diferente?" perguntei. "Por alguma razão me puseste aqui. Não é só uma questão de trabalho – devo ser Tua embaixadora. Então, mostra-me o que fazer." Imediatamente me veio a resposta que se encontra no texto de hoje.

Argumentei mentalmente: Como posso amar pessoas que desejam prejudicar-me? Na quietude do quarto, Seu Espírito falou: "Intercedi por você, mesmo quando você agia como inimiga. Pode você fazer menos?" Sem mais demora, anotei três nomes no meu diário e escrevi meu pedido para cada um.

Após vários meses de oração contínua, notei uma mudança em seu comportamento. Não que se tivessem tornado mais simpáticos, mas pelo menos os ataques pessoais haviam cessado. Uma das pessoas elogiou uma parte de um dos meus projetos, observando que ela também gostaria de usá-la como modelo para o seu projeto. Quanto a mim, também experimentei uma mudança. Ao escolher orar por aqueles que me magoavam, cresci. Deus me abriu os olhos para uma importante lição de vida que me aproximou dEle. Minha oração pelos outros também me beneficiou. Ajudou-me a perceber que Ele continua a interceder por mim, mesmo quando minhas ações O magoam.

Querido Jesus, obrigada por me ajudares a fazer aquela oração. Sei que já fui Tua inimiga muitas vezes, mas continuas a interceder diante de Teu Pai em meu favor. Eu Te amo e fico feliz porque me amas. Amém.

Yvonne Curry Smallwood


13 de maio

Lições de uma Criança

Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a Mim, porque dos tais é o reino dos Céus. Mateus 19:14.

Katie era uma criancinha feliz que estava começando a andar e se encontrava na reunião informal da tarde na igreja, porque seus pais estavam presentes. Como ela podia facilmente ser vista pela mãe, tinha a permissão de movimentar-se com liberdade, contanto que não se metesse em alguma dificuldade ou perturbasse a reunião. Ela andava para lá e para cá pelos corredores, passando ocasionalmente entre os bancos e depois voltando para o corredor outra vez.

Por fim, chegou à extremidade do banco onde eu estava sentada. Ela me olhou por um momento e depois se afastou. Mas pareceu que ficara fascinada por aquela área em particular, e retornou para me olhar várias vezes, chegando cada vez mais perto. Notei que ela esperava um pouco, observando para ver se eu iria interceptá-la. Finalmente, reuniu coragem suficiente para parar ao meu lado. Depois estendeu um dos seus dedinhos minúsculos e tocou minha bolsa, que estava sobre o banco ao meu lado. Sussurrou algo que não consegui entender, mas balancei a cabeça concordando, na esperança de que minha resposta fosse a adequada para aquela situação. Decidindo que já era hora de voltar para a segurança do corredor, ela deu marcha a ré, batendo acidentalmente a cabecinha no encosto do banco atrás de si.

Fiquei com muita pena dela e tentei distraí-la do que havia acontecido. Mas meus esforços falharam e ela solenemente se afastou e saiu na direção de sua mãe. Assim que chegou aos joelhos de sua mãe, desatou a chorar. Sua mãe colocou os braços ao seu redor e a pegou no colo, oferecendo o conforto de que ela tanto precisava. Em pouco tempo, Katie voltava a ser ela mesma, feliz e ocupada.

Fico muito feliz por ter Deus feito os bebês, e vejo muitas vezes que em sua inocência eles nos ensinam lições ternas e belas. Todos nos machucamos de tempos em tempos. Às vezes, a dor é física; às vezes, é emocional ou até espiritual. Nessas ocasiões, podemos tomar o exemplo das criancinhas e levar apressadamente os nossos problemas a Deus, nosso Pai celeste. Ele tem uma disposição total de colocar os amoráveis braços ao nosso redor.

Querido Jesus, por favor envolve-nos em Teus braços hoje. Amém.

Mildred C. Williams


14 de maio

Sapatos Enviados Pelo Céu

Invoca-Me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes. Jeremias 33:3.

Meu filho mais novo estava para concluir o ensino médio e eu o acompanharia na cerimônia de formatura. Encontrei um vestido preto com detalhes prateados, e queria um par de sapatos prateados para combinar com o vestido. Sou mãe desacompanhada, com dois filhos para criar, e ganho muito pouco, de modo que após pagar as taxas da formatura, não tinha dinheiro suficiente para comprar um par de sapatos caros. Toda vez que olhava numa loja, os preços eram tão altos que eu quase perdia a esperança de encontrar um novo par de sapatos. Pedi ao Senhor que me ajudasse a encontrar algo apropriado.

O dia da formatura se aproximava e eu não tinha encontrado sapatos por um preço que pudesse pagar. Num domingo à tarde, pedi que meu filho fosse comigo a um shopping perto da nossa casa. Enquanto descia pela escada rolante, notei uma loja de calçados. Dei uma olhada rápida nos sapatos, mas não vi nada dentro do meu orçamento.

Olhamos as vitrines, mas não achei nada depois de quatro horas, e assim decidimos voltar para casa. Quando íamos saindo, ali estava aquela loja de calçados novamente. Meus olhos foram atraídos por algo na vitrine – o par perfeito!

Embora não tivesse esperança de comprá-lo, dei mais uma olhada. Então pedi que meu filho verificasse o preço para confirmar se eu não estava sonhando, porque o preço era exatamente a quantia de dinheiro que eu tinha para gastar. Entrei na loja e pedi para experimentar um par. Incrível, mas havia sobrado um par só – e era o meu número!

Certamente foi o Senhor quem reservou aquele par para mim.

A cada dia, dependo mais e mais do Senhor para tudo. Em meio a tanta dor, ainda vejo a mão de Deus me ajudando na compra de um simples par de sapatos. Ele verdadeiramente supre todas as nossas necessidades. Podemos confiar nEle a respeito de coisas menores da vida diária. É nessas coisas que encontramos uma bênção que Ele reservou para nós, e a confirmação de que Ele cuida dos Seus filhos quando estes Lhe entregam o coração inteiro.

Sônia Regina Friedrich


15 de maio

Meu Caminho

Se alguém Me serve, siga-Me, e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo. E, se alguém Me servir, o Pai o honrará. João 12:26.

Depois de desfazer as malas e colocar algumas roupas na lavadora, decidi levar Buddy para nossa costumeira caminhada de três quilômetros pela estradinha vicinal. Quando peguei sua correia retrátil, ele veio correndo e fomos caminhar pela estrada para o necessário exercício. Enquanto andávamos, eu cantava louvores ao meu Senhor a plenos pulmões. Enquanto cantava, cometi dois equívocos de julgamento: permiti que a correia retrátil se esticasse até seu comprimento total, o que me dava menos controle sobre Buddy, e Buddy, que estava atrás de mim, farejou o cheiro de um animal selvagem. Quando agarrei a correia com mais força para controlá-lo melhor, senti que eu fazia um movimento giratório. A correia se soltou da minha mão pela súbita disparada de Buddy para o meio do mato. De repente, caí no asfalto de bruços, com um gemido.

Meu primeiro pensamento foi: Espero que ninguém tenha visto esta cena. Meu segundo pensamento foi: Será que quebrei alguma unha? E o terceiro pensamento: Fiquei muito machucada? Ali deitada, examinando-me para ver se podia usar minhas quatro extremidades o suficiente para me colocar em pé, vi Buddy voltar correndo do mato. Olhou para mim como se dissesse: "O que você está fazendo aí no chão?"

Sentei-me devagar, com as duas mãos arranhadas e sangrando. Depois me coloquei em pé, com os joelhos arranhados e sangrando. Cada parte do meu corpo doía. Comecei uma longa volta para casa, de quatrocentos metros. Meu esposo, que se encontrava na saída da garagem lavando o veículo, caminhou a curta distância para me encontrar. Na privacidade do banheiro, comecei a avaliar minhas feridas. Além dos esfolados nas mãos e nos joelhos e duas grandes contusões no peito, eu não apresentava ferimentos mais graves. Senti-me muito agradecida ao meu querido Senhor.

Toda vez que penso nesse incidente, lembro-me da correia que o Senhor tem para cada uma de nós – as instruções encontradas em Sua Palavra. Nós às vezes puxamos a correia de Sua bondosa mão e saímos em disparada para fazer as coisas do nosso jeito, enquanto Ele nos observa com tristeza, sabendo da decepção e do desgosto que enfrentamos por recusar-nos a aceitar Sua direção.

Rose Neff Sikora


16 de maio

Deus Está Sempre Presente

Eu Te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Salmo 139:14, NVI.

Em meados de maio de 1988 eu fazia companhia a minha mãe, que se encontrava gravemente enferma no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. Como mamãe estava num quarto com outra paciente, eu não podia ficar com ela à noite. Sentava-me na escada na frente do quarto para poder ouvir se ela me chamasse durante a noite. Daquele ponto, eu podia ver o quarto todo e aproveitava o tempo para ler, escrever e meditar quase a noite inteira.

Pela janela que ficava diante da escada, eu também podia ver o iluminado Cristo Redentor, a gigantesca estátua de Cristo (um dos pontos turísticos na cidade do Rio de Janeiro) com os braços abertos. Ao olhar para o monumento, pensava em Jesus, que morreu na cruz com os braços amplamente estendidos para mim e para todos os que se encontravam no hospital e no mundo inteiro.

Enquanto lia o Salmo 139, senti conforto na certeza de um Deus tão amoroso, que Se preocupou comigo desde que fui concebida no ventre de minha mãe. "Os Teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no Teu livro antes de qualquer deles existir" (v. 16, NVI). Quão maravilhoso é o nosso Deus! Com Seu sangue nos redimiu dos nossos pecados, e nos coloca em Seus braços que continuam abertos, aguardando que todos O aceitem.

Minha mãe faleceu no dia 22 de junho daquele ano, mas a esperança num Deus amorável e salvador permaneceu com ela até o fim. Hoje aguardo ansiosamente a vinda do Senhor Jesus. Quero estar com Ele por toda a eternidade, e também desejo ver meus queridos que já faleceram. Quero que minha vida inteira seja feita para Ele.

Nicéia Trindade


17 de maio

Milagre na Rodovia

Antes de clamarem, Eu responderei; ainda não estarão falando, e Eu os ouvirei. Isaías 65:24, NVI.

No fim do ano letivo, minha neta Jennifer começou a viagem de carro do Colégio Walla Walla, no Estado de Washington, para sua casa em Michigan. Fez cuidadosamente o mapa da viagem e começou a atravessar o norte dos Estados Unidos, na direção da Península Superior de Michigan. Ela precisava atravessar a Ponte Mackinac e depois prosseguir para sua cidade, East Jordan.

Jennifer entrou na Península Superior e tomou a Rodovia 2. Encontrava-se no meio do nada e no meio da noite – nenhuma casa, nenhum carro – quando subitamente um pneu furou. Tirando todas as latas de gasolina para alcançar o pneu sobressalente, ela pegou a chave inglesa e então descobriu que não funcionava. O que fazer? Havia uma só coisa a fazer – ela orou. Pediu que o Senhor enviasse alguém que pudesse ajudá-la e que não a machucasse.

Em seguida, viu luzes se aproximando, enquanto um enorme caminhão a ultrapassava. Quando o motorista viu o carro com o porta-mala aberto e as latas enfileiradas no chão, pisou no freio e fez parar a carreta. Saiu e veio andando até onde estava Jennifer, e lhe perguntou qual era o problema, achando que o carro estava sem combustível. Depois de ela explicar sobre o pneu furado, ele foi ao seu caminhão, buscou a chave inglesa e trocou o pneu para ela. Conversaram enquanto ele trocava o pneu. Ela disse que era estudante no colégio do Estado de Wasghinton, e estava voltando para casa.

"Que colégio?" quis saber ele.

Ela disse. Como o Colégio Walla Walla é uma instituição adventista do sétimo dia, ele perguntou se ela era adventista. Quando ela respondeu que sim, ele lhe contou que também era. Freqüentava a igreja em Cadillac, Michigan. Jennifer explicou que seu pai era pastor de três igrejas ao longo do caminho naquela direção. O motorista então contou que aquela não era uma noite em que regularmente dirigia, mas seu patrão o havia convocado.

"Antes de clamarem, Eu responderei." Como é confortante saber que Deus estava no controle e providenciou tudo, antes que Jennifer clamasse a Ele em oração.

O motorista do caminhão a seguiu até a ponte e telefonou para dizer ao pai dela que sua filha estava bem, a caminho de casa. A mão guiadora de Deus estivera sobre ela o tempo todo!

Anne Elaine Nelson


18 de maio

O Segredo de um Besouro

Temos esta esperança como âncora da alma. Hebreus 6:19, NVI.

Antes que meu vizinho instalasse uma cerca de metal, nossos terrenos eram separados por uma cerca de madeira. No meu quintal eu tinha um enorme barril vazio de óleo, que eu usava para queimar refugos de jardinagem.

Um dia, concluí que o barril estava perto demais da cerca e decidi mudá-lo dali. Inclinando-o na minha direção, eu o equilibrei sobre o seu aro do fundo e o rolei para um local mais seguro. Olhando para trás, para onde estivera o tambor, notei que um grupo de variados residentes de quintal morava embaixo daquele barril. Graças a mim, agora se encontravam sem teto. A culpa me cortou o coração.

Tatuzinhos se enrolavam como rolamentos de esfera e fingiam não me ver. Um grupo de minhocas, todas entrelaçadas num nó, pareciam procurar alguém que as desenredasse – mas não seria eu uma voluntária como o Bom Samaritano. Procurei ignorar a aranha – melhor seria que alguma coisa com oito pernas fossem duas cadeiras.

Uma criatura, entretanto, numa pequena moradia, me atraiu especialmente a atenção. Ao transportar o barril, eu havia sem querer virado um besouro preto com as patinhas para cima. O bichinho movia as seis perninhas com rapidez, sem chegar a lugar nenhum, mas se exercitando muito. Fiquei olhando para ver o que ele faria.

Ao seu lado havia um torrão de terra seca, aproximadamente do mesmo tamanho do besouro. Por acaso, uma de suas pernas bateu naquele torrão. Não foi muito, mas ele conseguiu ancorar-se e, com um pouco de esforço, virar-se com o lado certo para cima. Pensei: Até um besouro precisa de uma âncora.

Eu me identifico com essa criaturinha. Quando um problema ou provação vira a minha vida de cabeça para baixo, muitas vezes tento resolvê-lo com minha própria força. Como aquele besouro, faço um bom exercício, mas não chego a lugar nenhum. Preciso lembrar-me de que Jesus tem a capacidade e o desejo de colocar as coisas em pé novamente. Ele está justamente ao meu lado, esperando que eu me apegue a Ele.

Jesus é a nossa certeza neste mundo incerto. É a nossa âncora nas tormentas da vida – a única âncora que nos susterá no mundo caótico de hoje. Nunca estamos longe demais do Seu alcance ou além do Seu amor.

Márcia Mollenkopf


19 de maio

Leões Escondidos

O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. 1 Pedro 5:8.

Em 1980, morávamos na cidade de Ongwediva, na região de Owamboland, Namíbia. Num final de semana prolongado, fomos com nossos filhos visitar o Parque Nacional Etosha, perto de Tsumeb. Para ver uma variedade maior de animais selvagens, fomos até os "buracos de água", pequenos lagos e riachos onde os animais vinham beber.

Num desses bebedouros, enquanto observávamos os javalis e as girafas, alguns animais pequenos e curiosos vinham até nosso carro, pedindo comida. Meu esposo abriu a porta do carro e começou a lhes dar algo para comer quando um jipe, dirigido pelos guardas do parque, se dirigiu a nós em alta velocidade.

– Feche a porta! – gritaram. – O senhor não imagina o risco que corre com essa porta aberta!

Nós sorrimos e respondemos que diante de nós, junto à corrente de água, havia apenas girafas e javalis.

– Muito bem – declarou um dos guardas – então olhe à direita, perto daquela rocha mais alta.

Havia um par de leões! Não os havíamos percebido!

– Agora olhe para aqueles arbustos à esquerda, um pouco mais perto de nós.

Outra dupla de leões! Mal podíamos acreditar naquilo que nos mostravam. Como era possível que não os tivéssemos visto?

Os guardas acrescentaram: – Os visitantes do parque não podem, sob circunstância nenhuma, sair do veículo – nem mesmo abrir as portas. A razão está aí, bem diante de vocês. Os visitantes podem sair do veículo só em locais protegidos.

Embora estivéssemos acampados dentro do parque, as áreas onde dormíamos e fazíamos as refeições e onde as crianças nadavam e brincavam estavam num local protegido.

Neste parque, a Terra onde vivemos, não vemos o leão que anda por aí. Ele age como aqueles leões no parque – invisível, escondido entre os arbustos e rochas de nossas preocupações, interesses, frustrações e anseios, ou nosso egoísmo, que lhe pode dar fácil acesso.

Cuidado com os "leões escondidos"!

Maria Costa Sales Cardosa


20 de maio

Só de Passagem

Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. João 14:2.

Numa recente viagem a Viena, Áustria, tomei conhecimento de um atraente casal real cujas imagens eram retratadas em quase tudo que se vendia, de caixas de chocolate a chaveiros. Depois de perguntar, fiquei sabendo que esse casal não era outro senão Francisco José I e sua esposa, a Imperatriz Elisabeth, carinhosamente conhecida como Sissi. Ele era elegante e ela, linda; quando se casaram, ela estava com 16 anos.

A vida deles me intrigou, já que o casamento fora por amor, e não meramente um arranjo com fins políticos. Imaginei que a vida deles fora romanticamente encantadora, enquanto olhava estupefata a sua enorme coleção de pratarias, cristais e porcelanas, incluindo centros de mesa, candelabros e guardanapos dobrados em sofisticados rolos ou em forma de animais como fole de acordeon. Seus apartamentos no Palácio Hapsburg, bem como no Schonbrunn, estão cheios de retratos da família e obras de arte. Os jardins deleitam os visitantes com seus belos padrões florais, esculturas e fontes.

Em meio a todo esse esplendor, contudo, a vida não era ditosa. Sissi não se acertava com a sogra e odiava as estritas exigências da vida palaciana. Portanto, viajava com freqüência e raras vezes via o esposo, embora tivessem três filhos. Comia muito pouco para manter sua figura esbelta, e sua amiga atriz tornou-se amante do seu marido. Ainda aprendi que Francisco José vivia o espartano estilo de vida de um soldado. Depois de dormir numa cama de ferro, levantava-se às três horas toda madrugada para cuidar dos negócios do Estado. Sendo uma pessoa disciplinada, também comia muito pouco e mantinha um corpo esguio. Morreu aos 86 anos, e ela foi assassinada aos 60 anos de idade por um maluco, numa de suas viagens.

O que aprendi de tudo isso? Em primeiro lugar, as disfunções podem ocorrer em qualquer família. Sejam ricas ou pobres, cristãs ou não, o pecado não respeita pessoas. Todos temos faltas e fracassos, mas, graças a Deus, Ele venceu o mundo por nós. Podemos cultivar a esperança e encorajar os outros. Este mundo não é nosso lar definitivo; estamos aqui só de passagem. Precisamos concentrar-nos em Cristo e no lar que foi preparar para nós, o qual será muito mais esplêndido que qualquer palácio da Terra.

Aileen Young