Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que O amam. 1 Coríntios 2:9, NVI.
Havia sido uma semana agitada e estressante – suco de uva para fazer, uma reunião à qual assistir na cidade, preparativos para um acampamento que meu esposo aguardava fazia tempo.
Finalmente estávamos a caminho – então nossa picape, que fora sempre confiável, começou a esquentar demais e mal chegamos à cidade na qual havíamos planejado passar a primeira noite. Telefonamos para nossa filha, que planejava unir-se a nós, e lhe contamos que a viagem para o acampamento estava cancelada. Ela também se decepcionou, já que havia tirado licença do trabalho, mas imediatamente começou a fazer outros planos.
Nós a esperamos no aeroporto com um veículo mais confiável e partimos para uma viagem de um dia para visitar alguns museus. Como o dia passava rapidamente, vimos que havia mais lugares que desejávamos visitar naquela área, e na verdade não estávamos querendo voltar para casa. Nossa filha desapareceu e logo voltou com boas notícias. Ela havia telefonado à procura de um lugar onde pudéssemos passar a noite. Encontrou um quarto e fez a reserva num hotel próximo.
Aquilo era uma boa notícia, já que eu estava muito cansada. Mas perdemos o entusiasmo quando vimos o hotel – uma fila de quartos parecendo caixinhas numa encosta árida de colina, junto a uma estrada movimentada. Olhando as duas camas em estado deplorável e sentindo o cheiro de ar viciado, nossa filha disse: “De jeito nenhum!” Apesar do quarto, joguei-me numa das camas enquanto ela e meu esposo saíam à procura de um lugar melhor onde pernoitar.
Fui despertada por minha filha que dizia: “Venha ver o lugar lindo que encontramos!” Poucos quilômetros adiante, havia várias cabaninhas charmosas entre altos pinheiros, e meu esposo já estava relaxando no alpendre da frente de uma delas quando chegamos. Que lugar tranqüilo onde ficar, e que contraste em relação com as primeiras instalações onde quase nos havíamos acomodado!
Às vezes é muito fácil nos satisfazermos com as coisas que temos aqui na Terra – casas e carros bonitos, tantas coisas. Assim como eu estava quase pronta para me instalar no hotel inferior, às vezes parece que não estamos realmente aguardando o Céu e as coisas que veremos lá.
Muito obrigada, Pai, pela promessa de um lugar muito melhor do que aquele que somos capazes de imaginar. Ajuda-me a concentrar meus pensamentos no lar preparado para mim no Céu, em vez de me satisfazer com as coisas aqui embaixo.
Betty J. Adams
De longe Se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Jeremias 31:3.
Nosso sobrinho de três anos de idade, Caleb, gosta de passar tempo em nossa casa. Freqüentemente nos pergunta se pode vir dormir aqui. A princípio isso me intrigava, porque não há crianças da sua idade com quem brincar, tampouco brinquedos com que se divertir. Mas ele gosta quando nos sentamos e lemos para ele. Suas palavras favoritas são: “Conta uma história!”
Certa noite, dei banho em Caleb, li a história para ele, fiz com que ele dissesse a sua oração e lhe dei um abraço. Acomodei-o na cama, mas ele não dormia. Por fim, perguntei:
– Caleb, por que você está tão agitado?
Ele respondeu: – Mas você não me disse.
– Disse o que, Caleb?
Ele continuou repetindo: – Você não me disse. – Por fim, entendi que muitas vezes eu lhe dizia que ele é especial e que nós o amamos. Foi somente depois de eu dizer que ele é especial e que o amamos muito, que ele caiu no sono.
Tantas vezes nos esquecemos de dizer – e mostrar – aos nossos familiares, amigos e outros quanto os amamos e como os apreciamos. Levamos uma vida tão corrida que mal nos conscientizamos da presença dos outros; passamos raspando por eles sem perceber o que a outra pessoa pode estar sentindo lá no fundo. Todos querem ser amados, aceitos e valorizados.
Quando vamos dormir, acaso tomamos tempo para ouvir a voz do nosso Criador dizendo: “Eu a amo – você é especial. Podemos passar tempo juntos lendo Meu Livro de Histórias – a Bíblia? Há tantos tesouros e promessas que Eu gostaria de partilhar com você. Lembre-se de que Eu a amo tanto que dei Minha vida por você, a fim de que possamos passar a eternidade juntos”? Nosso Pai espera pacientemente para contar-nos o quanto nos ama, e quer dar-nos a certeza de que está sempre à nossa disposição. Dia após dia Ele nos garante que somos especiais porque não há no mundo ninguém como nós. Somos especiais porque o Deus do Universo Se deu por nós. Somos especiais porque Deus nos ama de todo o coração. Deus nos convida a cultivar uma amizade íntima com Ele. Deseja que confiemos implicitamente nEle e Lhe entreguemos nossa vida.
Hoje, aprecie a magnificente e generosa dádiva do amor de Deus.
Cordell Liebrandt
Vocês receberam de graça; dêem também de graça. Mateus 10:8, NVI.
Desde que conheci a Jesus, assumi com Ele o compromisso de ajudar outros a conhecê-Lo. Esse compromisso tem durado dez anos, com bons resultados. Louvado seja o Senhor!
Entre as pessoas com quem tenho estudado a Palavra de Deus está Paulo. Paulo era um jovem sargento da polícia militar que, devido ao seu perfeccionismo, tinha um temperamento difícil e muitas vezes não agia bem com vários indivíduos.
Quando o conheci, vi o desafio que teria pela frente. Paulo era um homem rígido e duro. Começamos os estudos e logo percebi que toda vez que nos encontrávamos ele estava mais ansioso por conhecer a Bíblia. A princípio, os estudos aconteciam uma vez por semana, mas logo nos reuníamos três vezes cada semana. Mesmo assim, isso não o impedia de ir à minha casa com o carro da polícia para perguntar acerca de algum ponto da Bíblia que ele não entendia. Eu detestava a polícia, e me incomodava ver o carro da polícia parado à minha porta.
Então os estudos começaram a se realizar diariamente, e cada vez mais Paulo demonstrava evidências de uma mudança visível. Sua esposa e filha estavam felizes por terem um novo homem ao seu lado. Quando os estudos terminaram, Paulo me surpreendeu perguntando: – Quanto você vai cobrar? Diga rapidamente, porque se eu não puder pagar a quantia de uma vez só, vou lhe pagar em várias prestações.
Eu havia estudado a Bíblia com diversas pessoas antes, e nunca alguém me havia feito uma pergunta como essa. Surpresa, respondi: – “De graça recebestes, de graça dai.”
Agora era Paulo quem se surpreendia. – Você está dizendo que não vai me cobrar nada? Você chegou, mudou minha vida, me ensinou a viver corretamente e não vai me cobrar por isso? – Então eu lhe disse que Aquele que havia transformado a sua vida, que dera tudo por amor e não cobrava nada, era Jesus. Ele desejava apenas a entrega de Paulo, sem reservas.
Isso ajudou Paulo a tomar sua decisão de seguir a Jesus. Ele foi batizado, junto com sua esposa, e hoje servem alegremente a igreja de Deus no Estado da Bahia. Seu lema é: “Vocês receberam de graça; dêem também de graça.” Poderia ser esse o nosso lema também?
Edileuza Nascimento Ramos
“Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” Jeremias 29:11, NVI.
Certo dia uma amiga me contou uma experiência que tivera com sua filhinha. O dia estava tão quente, que decidiram tomar um sorvete. Quando chegaram à sorveteria, ela pediu que sua filha escolhesse um sabor de sorvete. Sugeriu que ela pedisse o sorvete num recipiente de plástico e não num cone, porque no copo plástico cabe uma quantidade maior. Mas a filha disse: “Mamãe, eu quero meu sorvete na casquinha, para poder ver o sorvete enquanto eu como.” Sua mãe tentou de novo convencê-la, mas ela se recusava a mudar de idéia. Então a mãe comprou um sorvete num cone para a filha, e um no pote plástico para si.
Enquanto caminhavam na direção do carro, a menina começou a tomar seu sorvete e o terminou em pouco tempo. Quando chegaram à casa alguns minutos depois, a mãe começou a tomar seu sorvete. Quando a garotinha viu a mãe saboreando o sorvete, disse: – Mamãe, eu quero um pouco do seu sorvete.
– Não, querida – disse a mãe. – Você já terminou o seu, e eu lhe disse que pedisse o seu sorvete num copo, mas você recusou. Assim, agora você não tem mais sorvete.
A menina disse: – Mamãe, desculpe. Eu fiz errado em não obedecer. Escolhi o sorvete na casquinha porque parecia mais interessante. Desculpe, mamãe.
Enquanto ouvia essa história, meus olhos se abriram. Aquela garotinha é o nosso reflexo. Quantas vezes tomamos uma decisão simplesmente porque ela parece mais atraente aos nossos olhos? Temos a tendência de esquecer que Deus nos preparou algo mais belo e perfeito. Sabemos que Ele sempre tem o plano melhor para nós, como diz a promessa do verso de hoje.
Quão doce e confortador é saber que Deus sempre nos guia a cada passo da vida. Peça sempre da Sua sabedoria ao tomar decisões. “Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dEle” (Efésios 1:17, NVI).
Lanny Lydia Pongilatan
O Senhor cumprirá o Seu propósito para comigo! Teu amor, Senhor, permanece para sempre; não abandones as obras das Tuas mãos! Salmo 138:8, NVI.
Ela voltou para casa num mar de lágrimas. Não parecia possível que, após ter colocado todos os seus planos nas mãos de Deus, tivesse sido negado a ela o visto de entrada nos Estados Unidos! Minha filha de 21 anos, Estefânia, devia ajudar uma família americana cuidando dos seus filhos, estudar na universidade e, naturalmente, praticar o inglês.
Ela achara que Deus lhe havia acendido a luz verde. Tínhamos recebido sinais claros, e as portas se haviam aberto de maneira providencial; mas agora tudo ia ladeira abaixo. Ela havia comparecido ao consulado americano para obter o visto com uma atitude positiva, e alegremente pagou a taxa. Agora havia perdido o dinheiro e seus sonhos se haviam ido também.
Havíamos orado muitas vezes para que se fizesse a vontade de Deus. Tentei consolá-la. “Não chore, querida. Se Deus quiser que você vá, mesmo que tudo pareça que está dando errado, você irá. Se você não recebeu o visto, é porque Deus está dizendo que não deve ir.” Estefânia concordou e, enxugando as lágrimas, continuou com suas atividades.
Dois dias mais tarde, o telefone tocou. Do outro lado da linha, uma voz falando português com sotaque americano perguntou por Estefânia. “É ela”, respondeu minha filha.
“Por favor, amanhã às dez horas venha ao consulado americano; você terá uma entrevista com o cônsul a respeito do seu visto. Não será necessário pagar a taxa novamente.” Estefânia desligou o telefone. Pulando de alegria, correu para me contar a notícia.
No dia seguinte o cônsul estava esperando por ela e declarou: “Acredito que aconteceu um milagre em seu favor. Venha comigo!” Depois de uma conversa de dez minutos, ela recebeu o visto.
Estefânia viveu um ano repleto de bênçãos. O Senhor a usou para cuidar de adolescentes rebeldes que ficavam sob sua responsabilidade. Ela dependia constantemente de Deus, da mesma forma como havia dependido desde a infância. Todavia, durante o tempo longe de casa, esse fato parecia mais tangível porque as coisas não são fáceis quando se está num país estrangeiro. Ela aprendeu a colocar sua confiança em Deus diariamente. Agora minha filha tem certeza de Sua existência e sabe que não há nada melhor do que colocar os planos nas mãos de nosso amorável Salvador.
Rócio Ortiz
Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. Salmo 118:24.
Vários dias atrás, meu esposo se ofereceu para colocar uma pilha de cartas no correio para mim. Ele as viu empilhadas no balcão da cozinha quando disparava porta afora com um pacote que despacharia para o aniversário de sua mãe. Na hora da refeição daquela noite, ele comentou que o envio do pacote custara cinco dólares. No momento não dei importância ao assunto, mas depois perguntei se o custo incluía os selos para as minhas cartas. “Ops!” disse ele. “Nem notei que elas precisavam de selos.” No dia seguinte, todas as oito cartas estavam de volta na minha caixa de correspondência.
O pequeno episódio provocou uma nova ida ao correio no dia seguinte, com oito envelopes cuidadosamente selados. Lisa colocou seu carro ao lado do meu no estacionamento. Ela é conhecida como uma pessoa apressada, com uma agenda ininterrupta. Rapidamente desprendeu sua netinha, Katie, do seu assento no carro e fez com que ela a acompanhasse com passos rápidos ao balcão do correio. Katie tagarelava livremente durante o percurso.
Alguns minutos de conversa com Lisa seriam uma gostosura antes de começarmos o nosso dia. A pequena Katie se empoleirou no balcão, com selos de bonecos de neve numa mão e cartas na outra, ainda conversando. O trajeto para a escola toda manhã é longo para Lisa, seus três filhos e a neta de dois anos. Enquanto ela e Katie selavam seus envelopes com bonecos de neve, Lisa começou a rir enquanto me contava sobre a ida à escola no início daquela manhã. As crianças falavam em voz alta e provocavam umas às outras. Katie de repente levantou as mãozinhas e disse: “OK, façam o favor de se acalmar. Eu disse: façam o favor de ficar calminhas.” As crianças começaram a rir e seu estado de espírito se transformou rapidamente.
“Nestes últimos dias Katie tem estado cheia de uma energia feliz, mas tem sido um pouco cansativo!” exclamou Lisa. Na noite anterior, ela havia estado excepcionalmente agitada. Lisa colocou o rostinho de Katie entre as mãos, dizendo que ela precisava se controlar. Novamente, com sua sabedoria em miniatura, Katie respondeu: “Eu preciso me controlar; sei o que preciso fazer; eu preciso me controlar.”
Com demasiada freqüência, apressamo-nos e corremos com impressionante energia, planejando para amanhã, para a próxima semana ou o próximo mês. Tomamos emprestadas as ansiedades e preocupações do dia de amanhã. Assim como Katie, sabemos o que precisamos fazer. Precisamos pisar no freio. Este dia é novo, uma dádiva de Deus. Cuidemos de seus momentos como um tesouro.
Judy Good Silver
A tristeza de vocês se transformará em alegria. João 16:20, NVI.
Quando minha nora esperava seu segundo bebê, fez o exame pré-natal. O laboratório diagnosticou que ela havia contraído rubéola. Se alguém contrai rubéola nos primeiros meses de gravidez, é possível que se produzam efeitos irreversíveis no feto. O laboratório pediu que ela repetisse o exame. Para nossa perplexidade, confirmou-se a doença.
Entramos em pânico, sem saber o que fazer. Começamos a orar e a colocar a vida daquela criança nas mãos de Deus.
Alguns amigos também começaram a orar. Mas apesar do fato de estarmos orando, muitas vezes pensamentos depressivos nos vinham à mente por meio de pessoas que haviam convivido com crianças afetadas pela doença. A despeito do seu sofrimento, porém, minha nora decidiu não interromper a gravidez, permitindo que Deus atuasse conforme a Sua vontade.
Os meses seguintes pareceram anos, tal era a nossa ansiedade. Dentro do coração havia dor, e em nossa mente estava a pergunta que não tínhamos coragem de expressar com palavras: Por que foi necessário acontecer isso? Não sabíamos o que fazer a não ser pedir de Deus um milagre.
Por fim, o dia longamente esperado chegou. Embora tivéssemos fé em que tudo daria certo, a dúvida permanecia em nossa mente. Naquele dia pedimos a Deus que o bebê nascesse normal e saudável.
Deus é infinitamente misericordioso! Ele já havia realizado o milagre no ventre da mãe. Hoje essa criança tem onze anos de idade, um menino inteligente e saudável. Ele sabe que o seu nome, Rafael, foi escolhido por causa do seu significado: “Deus o curou”.
Muito obrigada, Senhor, porque minha tristeza se transformou em alegria. Graças Te dou por poder sentir Tua presença quando Te vejo cada manhã.
Nicéia Triandade
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. 1 João 1:9.
O verão é minha estação preferida do ano. Gosto de sair em férias! Ao longo dos anos, meu esposo e eu temos tido a sorte de tirar algumas férias divertidas – por vezes sós, e outras com nossos filhos. Minhas férias favoritas são viagens para alguma praia. Meu primeiro período de férias (quando eu era menina) foi para o mar, com meus pais. Acho que foi isso que despertou meu amor pelo oceano e as praias. Gosto de ouvir as ondas, com a maré que sobe e desce. Gosto da areia branca que sinto entre os dedos do pé ao caminhar. Gosto de procurar conchinhas, sentir a brisa fresca, ver aves tropicais e palmeiras. Sou agradecida a Deus por ter criado esses lindos lugares para os quais meu marido e eu podemos ir de vez em quando a fim de apreciar as maravilhosas obras de Suas mãos.
Um dos nossos lugares preferidos é o México, onde ficamos num resort na praia. Todas as manhãs, nos levantamos cedo, fazemos nosso devocional e depois vamos caminhar na areia. É tão lindo, de manhãzinha, observar o sol nascendo. Durante a noite, as ondas trazem algas de um marrom escuro, e ao longo de toda a margem do oceano há uma linha escura. Não demora muito para que venham grandes tratores pela praia, com enormes pás que recolhem as algas e as colocam nas lixeiras dos caminhões para levá-las embora. Quando os tratores terminam seu trabalho, podemos ver a linda areia branca novamente.
Certa manhã enquanto eu caminhava, concluí que aquelas algas feias e escuras são como os pecados da nossa vida. É tão maravilhoso ter um Pai amoroso, atento e perdoador que, se pedirmos, virá e levará embora os nossos feios pecados.
Pai do Céu, obrigada pelos oceanos, pelas belas praias, pelos recursos para limpá-las e por teres providenciado uma forma de limpar nosso coração também!
Joyce Bohannon Carlile
Depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave. 1 Reis 19:12.
O noticiário da noite é um improvável guia de viagem. O foco dos simpáticos apresentadores raramente é agradável. Acho que foi por isso que me senti tão atraída pela reportagem. Todos os elementos da natureza haviam colaborado naquele ano para proporcionar condições perfeitas a fim de que o deserto florescesse. A terra ressequida havia recebido a quantidade certa de chuva para fazer com que as antigas sementes entrassem em ação. A previsão do tempo prometia uma exibição espetacular única de cores vivas contra os empoeirados tons de terra da Califórnia. O jornal local também trazia uma reportagem e fotos em close de cactos em flor para me despertar o apetite. O jornalista havia apresentado orientações pormenorizadas ao longo da Rodovia Interestadual 15, na direção de Nevada. À medida que se aproximava o final de semana, vários de nós planejamos uma viagem de um dia para ver a paisagem.
Nas primeiras horas da manhã, comecei a imaginar lindas flores nos cactos, como rosas que se apresentam no topo das roseiras cheias de espinhos. Enquanto percorríamos a rodovia em gradual declive, o terreno ia lentamente mudando de verdes gramados e árvores frondosas para altos pinheiros e arbustos; de áreas residenciais para terra desocupada.
Por fim, começamos a descer para um vale pontilhado de dunas de areia que marcavam o início do deserto. Entusiasmados, esquadrinhamos a paisagem à procura da prometida explosão de cores. Desaceleramos enquanto buscávamos algo diferente do que os tons bege e azeitona que borravam a paisagem. Não vimos nada – até pararmos e caminharmos pelo chão do deserto. Somente então vimos que o chão do deserto estava coberto com minúsculas plantas e gramas. Aninhadas dentro de cada touceira de folhagem havia respingos de lindas flores em miniatura.
No texto de hoje, Elias teve de aprender a mesma lição. Morando numa cidade bem irrigada, eu estava tão acostumada com as grandes e ostensivas exposições no Parque de Exposições Jardim das Rosas e com a fragrância excessiva das árvores havaianas de pluméria, que por pouco perdi a beleza discreta e pequenina do chão do deserto. Às vezes procuramos a Deus enquanto corremos, e tudo o que Ele quer é que paremos e ouçamos aquela voz tranqüila e suave.
Shirley Kiembrough Grear
E será que, antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei. Isaías 65:24.
Minha irmã retornava de uma viagem com alguns amigos. Depois do almoço, enquanto ela dormia no assento traseiro do carro, este foi repentinamente atingido por um pedaço de pneu que entrou pelo pára-brisa, atingiu o ombro do passageiro ao lado do motorista, bateu na testa da minha irmã, derrubou o apoio de cabeça e passou pela janela de trás antes de desaparecer ao longo da rodovia – tudo numa questão de segundos.
Os viajantes logo receberam atendimento de emergência e foram levados a uma cidade próxima. Minha irmã precisou ser levada para uma cidade maior, onde o hospital fosse mais bem equipado para fazer a cirurgia que seus ferimentos graves exigiam. Essa transferência se realizou devido à intervenção de uma enfermeira cristã que prestou os primeiros cuidados aos ferimentos e dirigiu o caso de minha irmã a outro hospital.
A equipe médica se admirou por minha irmã ter sobrevivido aos ferimentos, e durante a cirurgia os médicos simplesmente se referiam a ela como “a paciente”, porque não queriam pronunciar o nome dela, Óbida, que fazia lembrar a palavra “óbito” (falecimento, em português). Depois de dez horas, fecharam o crânio dela e disseram que não havia nada mais a se fazer. Se tivéssemos fé, disseram eles, aquela seria a hora de pedir que nosso Deus agisse com misericórdia para com minha irmã.
Naquele dia uma grande corrente de oração se estendeu pelo Brasil, bem como no exterior. A equipe médica havia predito que ela permaneceria na unidade de terapia intensiva por três meses, e depois passaria mais seis meses no hospital. Somente a essa altura saberíamos que seqüelas haveria. Teríamos de aprender como cuidar dela.
Mas o Senhor tinha outros planos. Cinco dias depois, ela saiu da unidade de terapia intensiva e dois dias mais tarde os médicos vieram despedir-se dela, porque estava recebendo alta do hospital. A maneira como olhavam para ela e a alegria dos seus sorrisos nos fizeram entender que eles realmente sentiam que estavam olhando para um milagre. Nós a trouxemos para casa, em São Paulo, e depois de um mês de repouso ela retornou ao trabalho.
Temos a alegria de servir a um Deus maravilhoso!
Odnar Lima dos Reis