21 de julho

O Longo Caminho Para Casa

E ela engravidou, e deu à luz um filho. Vendo que era bonito, ela o escondeu por três meses. Quando já não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo. Êxodo 2:2, 3, NVI.

O sol da manhã parece tão baixo quanto seu estado de ânimo. A névoa do verão, como um cobertor, já cobre a frescura da manhã. Hoje ela vai para casa sozinha. O que tem de ser feito precisa ser feito com pressa. Amamenta o filho pela última vez, coloca-o numa pequenina arca e o deixa à margem do rio. Então ela se vira e se afasta, afasta-se de seu bem mais precioso. O som de seus passos rápidos marca a trilha poeirenta como o retumbar das batidas do seu coração.

Ela hesita – inclinada a voltar, relutante para seguir; empacada na areia movediça de seus próprios pensamentos. O caminho de casa é longo para ela. Relembra o nascimento do bebê, como ela o ocultara por três meses e como cuidava dele para impedir que chorasse. Após três meses, não mais podia escondê-lo, pois ele começava a assumir sua própria vida.

Venha comigo à margem do rio. Não estamos paradas aqui por acaso. Vimos com um propósito, pois cada uma de nós carrega junto ao peito algo que temos acariciado por tempo demais. E não podemos mais escondê-lo. Para algumas de nós, podem ser nossos filhos clamando por independência. Para outras, pode ser um relacionamento corrosivo que carcomeu as cordas do nosso coração. Para algumas, pode ser dor, luto, mágoa, amargura, hábitos ou agressões que elas conseguiram esconder e administrar em algum lugar secreto onde ninguém pode ver ou ouvir. Para algumas pode ser um vazio espiritual acalentado só para impedir que clamasse para ser preenchido. Não dá mais para esconder.

Cristo é a arca da nossa segurança. Ele chama você e qualquer coisa que você tenha acalentado, para que venha ao rio da vida e pela fé coloque seu fardo nas mãos dEle. Depois vire-se e se afaste. O caminho para casa será longo, mas você não o percorrerá sozinha.

Amy Smith Mapp


22 de julho

A Oração do Alfabeto

Sim, só Tu conheces o coração do homem. 1 Reis 8:39, NVI.

Limpinha de estalar e cheirando a pétalas de rosa, Melissa se aconchegou sob o cobertor na grande cama do quarto de hóspedes, onde ela ficaria enquanto seus pais estivessem ausentes para o final de semana. Havia sido um dia maravilhoso, dando pão seco aos patos migratórios no estuário e terminando sua primeira aula de crochê. Como havíamos brincado e rido a respeito da agulha de crochê com mente própria! “Você faz a oração de boa-noite primeiro”, sugeriu Melissa, acompanhando suas palavras com um enorme bocejo.

Comecei com “Querido Pai do Céu”, expressando agradecimentos por várias coisas, inclusive o fato de que Melissa e eu teríamos três dias inteiros para passar uma com a outra. Terminei minha oração com “Amém”.

Silêncio. Abri um olho. Melissa estava deitada quieta na cama, bem abraçada com o seu ursinho de pelúcia. Mais silêncio. Crendo que a oração é uma atividade muito pessoal e particular, não quis insistir com ela. No momento em que eu decidia que minha oração servira para nós duas, sua voz suave quebrou o silêncio.

“A, b, c, d, e, f, g ...” O som da voz dela continuou claro e deliberadamente pelo alfabeto inteiro e terminou com “Muito obrigada. Amém.”

Mas afinal de contas, o que é que está acontecendo? perguntei a mim mesma. Em voz alta, perguntei: – Isso é um tipo novo de oração, Melissa? Oração sem palavras?

– Na realidade, não – respondeu ela serenamente. – Mas meu coração está tão cheio que eu não sei que palavras dizer.

Pausa. Às vezes acho difícil ser paciente e esperar pela resposta no momento em que ela quiser falar.

– Mamãe diz que Deus sempre sabe o que está no meu coração – acrescentou Melissa, após uma demora que pareceu interminável. Fiz um movimento com a cabeça, encorajando-a a prosseguir.

– Então simplesmente dou as letras a Deus para que Ele forme as palavras certas. As palavras que meu coração não sabe dizer – acrescentou ela com um sorrisinho. E com isso ela fechou os olhos e em questão de segundos estava dormindo.

Beijei-a nas duas bochechas, acendi a luz do corredor e saí do quarto. Sentada junto à lareira, refleti sobre minha lição do dia, dada pelo discernimento da minha pequena professora, Melissa. Nem sempre tenho razão. Ser mais velha não quer dizer mais sábia. Deus conhece as palavras que meu coração não sabe dizer.

Arlene Taylor


23 de julho

O Senhor Irá Adiante de ti

O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos. Provérbios 16:9.

Um tanto relutantemente, eu daria uma carona ao meu vizinho ao sair com minha mãe para uma viagem de final de semana para o casamento do meu primo na cidade de Nova York. O Sr. Jefferies disse que ficaria no caminho, mas parecia inseguro ao me dar as orientações de sair da rodovia e entrar na cidade. Uma hora e pelo menos 55 quilômetros mais tarde, o deixamos no seu destino. Fui cortês, mas fiquei irritada por ter ele nos desviado tanto do nosso rumo.

Ao chegar, começamos a cuidar das coisas relacionadas com o casamento, programado para o meio-dia do domingo. Embora tivesse morado em Nova York por dezoito anos, perdi-me ao ir para a igreja. Devo ter acrescentado dezesseis quilômetros ao percurso. Fiquei furiosa comigo mesma; porém, finalmente chegamos à igreja em tempo para a cerimônia.

Depois da recepção, achei facilmente o caminho até o lugar onde estávamos hospedadas. Quando tínhamos percorrido dez minutos, parei num sinal vermelho. Quando a luz passou para verde, avancei, mas o carro diminuiu a velocidade, depois parou e não pegou novamente. Estávamos no meio de um cruzamento movimentado. Os carros buzinavam atrás de mim e um grupo de rapazes sentados no alpendre de uma casa, ouvindo música, notou o que acontecia. Um deles, com longas tranças rastafári, aproximou-se para ajudar. Sem poder ligar o motor do carro, começou a empurrá-lo para o lado com a ajuda do seu amigo.

De repente, ouvi alguém chamar meu nome. Era um amigo que também morava em Maryland, mas era de Nova York. Estava visitando sua família, e o rapaz que me prestava ajuda era seu irmão. O vizinho que morava na casa ao lado da de sua mãe era o mecânico da confiança deles.

Entendi que devido aos quilômetros extras que eu havia percorrido (o que me deixara frustrada) meu carro acabou parando no melhor lugar. Deixei o carro lá durante a noite e o mecânico do meu amigo pôde consertá-lo na manhã seguinte. Entendi que o Senhor havia estado comigo o tempo todo.

Deus e Pai, perdoa-me quando permito que a raiva me vença quando as coisas não saem do jeito que quero. Ajuda-me a confiar em que estás comigo em todas as situações, e que tens um plano para que as coisas cooperem para o bem. Graças Te dou por Tua orientação constante.

Mirlene André


24 de julho

A Luz do Mundo

Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade. Mateus 5:14, NVI.

A semana havia sido muito estressante, e eu mal podia esperar pelo fim da semana. Um encanador, que viria ao meu apartamento para limpar o tanque de água quente do banheiro, devia chegar durante o horário de almoço. Assim, cheguei por volta das doze horas. Quando o rapaz chegou, desculpei-me por não ter estado em casa três dias antes, segundo o combinado originalmente. Com toda a tensão pela qual eu passava, havia me esquecido por completo do compromisso. Ele me disse que não ficou feliz com minha ausência, mas acrescentou: “Bem, aqui estamos para perdoar.” De repente, senti a impressão de que aquele rapaz estava aberto à direção do Espírito Santo e que eu lhe devia dar um livro religioso.

Depois de terminado o trabalho, conversamos um pouco e de súbito ele começou a pregar para mim. Fiquei atônita, já que não esperava isso dele. Não concordei com tudo o que ele disse, mas deixei-o falar, expressando minha opinião acerca do que me dizia. Por fim, lhe dei o livro, que ele prometeu ler.

Não sei o que aconteceu com a vida dele desde então, mas uma semente foi plantada. Esse é apenas um exemplo das várias oportunidades que temos de contar a alguém sobre nossa fé cristã cada dia, seja através de um livro ou de palavras e atos – mesmo quando estressadas! Mas estamos realmente aproveitando as oportunidades que com tanta freqüência encontramos?

No filme A Lista de Schindler, há uma cena em que Oskar Schindler, um jovem senhor rico que viveu durante a Segunda Guerra Mundial e investiu muito do seu dinheiro para empregar judeus em suas fábricas na Europa Oriental a fim de salvá-los do Holocausto, está parado diante de uma multidão de judeus que lhe expressam gratidão e reconhecimento pelo que ele fez em seu favor. Pouco a pouco, ele se conscientiza de que poderia ter investido ainda mais de sua riqueza, salvando assim mais judeus. Sente o peso do remorso e brada, desesperado: “Eu podia ter salvado mais!”

Querido Senhor, não quero repetir as palavras angustiadas do Sr. Schindler quando um dia eu comparecer diante de Ti. Por favor, ajuda-me hoje a reconhecer qualquer oportunidade de testemunhar do Teu amor e faze-me sensível à Tua orientação nesse sentido.

Daniela Weichhold


25 de julho

Ele nos Ouve

Amo o Senhor, porque Ele ouve a minha voz e as minhas súplicas. Porque inclinou para mim os Seus ouvidos, invocá-Lo-ei enquanto eu viver. Salmo 116:1, 2.

Despertei numa linda manhã de verão e me vesti rapidamente. Estava atrasada para pegar minha carona até a universidade. Aguardei no lugar costumeiro por algum tempo, mas logo ficou evidente que a pessoa que me daria a carona já havia passado. Orando silenciosamente, pedi que Jesus me mandasse outra carona, ou eu chegaria tarde para a aula e correria o risco de não passar no semestre porque meu número de ausências possíveis já havia chegado ao limite. Havia ocorrido um erro na contagem do número de ausências, e o professor se recusava a corrigi-lo. Assim, precisei adaptar-me à situação – e não poderia perder mais nenhuma aula.

Comecei a caminhar tão rapidamente quanto podia, até um lugar onde fosse mais fácil encontrar alguém passando. Orei ansiosamente para que Jesus providenciasse um meio de eu chegar à universidade em tempo para o início da aula. Com um nó no estômago e me sentindo desesperada, olhei para trás, esperando que um carro viesse em minha direção. Mas nenhum carro aparecia. Orei de novo: Senhor, Tu conheces a minha situação. Por favor, ajuda-me!

Então, para minha surpresa, ouvi o som de um carro. Olhei para trás a fim de verificar, e vi que Deus não me enviara um, mas dois carros. Agradeci-Lhe em silêncio, sentindo Sua maravilhosa mão a me ajudar. Entendi de maneira muito prática que Deus deixa conosco aquilo que somos capazes de fazer, e aquilo que não nos é possível Ele providencia, agindo em nosso favor. Na hora da necessidade, Ele opera em favor dos Seus filhos.

Muito obrigada, querido Jesus, por nos permitires saber que quando a nossa força acaba, o Senhor está ao nosso lado para nos dar a Sua mão e auxiliar-nos. Muito obrigada por ouvires as nossas orações.

Adriana Azevedo da Costa


26 de julho

Ficai Sempre Apercebidos

Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá. Mateus 24:44.

Nossos amigos, o Sr. e a Sra. Hall, vêm todos os anos para uma visita. Pioneiros da obra da igreja em Laos, eles moram atualmente em Oregon. Fazem anualmente uma viagem à Califórnia e nunca deixam de passar para nos ver. Sempre gostamos dessas visitas e nos recordamos do tempo em que trabalhávamos juntos em Laos.

Telefonaram recentemente para dizer que gostariam de passar para ver-nos de novo, e queriam saber se estaríamos em casa. Dissemos aos nossos amigos que certamente os receberíamos em casa e faríamos todo esforço para passar algum tempo com eles. Nesse mesmo dia começamos a lavar a roupa e depois saímos para providenciar mais algumas coisas. Também havíamos decidido apresentar um jovem a um casal que estava recebendo estudos bíblicos, porque nosso plano era mudar-nos em breve.

No meio da nossa visita ao casal de idade, recebemos um telefonema dos Hall, dizendo que já estavam diante da nossa casa. Mas entre a visita e a volta para casa, decidimos parar num supermercado para comprar algumas frutas, alface e tomates para os sanduíches da noite.

Quando finalmente chegamos, nossa filha estava lá com suas duas meninas, sua sogra e outro casal. Dei a todos as boas-vindas ao nosso humilde lar, só para ser recebida pelas roupas sem dobrar no sofá da sala e a pilha de correspondência que eu começara a abrir na mesa da cozinha. Como pude ser tão descuidada? Apressadamente peguei e guardei as roupas e a pilha de correspondência e comecei a preparar a refeição da noite. Que lição!

Algum dia nosso Salvador aparecerá nas nuvens para levar os remidos para o Lar. Que glorioso dia será aquele! Mas estaremos prontas, ou correndo daqui para lá, despreparadas? Ah, que isso nunca aconteça! Querido Senhor, ajuda-me, por favor, a estar preparada para Te encontrar então.

Ofélia A. Pangan


27 de julho

O Gato Errado

Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos. 2 Pedro 3:14.

Era quinta-feira. O grupo dos Desbravadores da igreja estava vendendo massa para biscoitos para levantar fundos a fim de poder ir ao campori internacional em Wisconsin, e a encomenda havia acabado de chegar. Havia 27 caixas para descarregar, cada uma pesando onze quilos. Depois de transferir todas as caixas para outro caminhão, era hora de fazer outra mudança. Lucas, um dos conselheiros dos Desbravadores, havia oferecido seus freezers para a estocagem. Mas ele precisava voltar para o trabalho; assim, deixou-nos uma chave da casa para que terminássemos de organizar e guardar a massa de biscoitos. Na hora de sair, ele nos advertiu: “Cuidado com o gato. Ele é muito sorrateiro.”

Enquanto eu trabalhava, fiquei de olho em Simon, o gato. Depois de uma hora, aquele trabalho de rebentar as costas estava feito. Todas as caixas que não couberam nos freezers de Lucas foram transferidas para o nosso carro. Eu me sentia tão agradecida por ter terminado aquele trabalho que nem mesmo verifiquei onde Simon estava.

Não voltamos à casa de Lucas senão mais tarde, ao anoitecer, quando o pessoal foi buscar suas encomendas. Depois de terem saído todos, minha irmã, Briana, e eu começamos a procurar Simon. Então entramos em pânico! Simon não se encontrava lá. Procuramos por toda parte, em vão. Desalentadas, íamos de carro pela estrada quando de repente Briana gritou: “Lá está ele!” Imediatamente minha mãe fez um retorno e parou o carro. Briana e eu corremos e tentamos apanhar o gato. Ele não quis saber. Oramos, mas nem assim ele veio até nós.

Finalmente a irmã de Lucas, Heather, apareceu e tentou ajudar-nos a apanhar Simon. Mesmo chamando e falando suavemente, não conseguia fazer com que ele se aproximasse dela. Por fim, desistimos e voltamos tristes pelo caminho para casa.

Quando vi Heather no dia seguinte, perguntei se ela e Lucas haviam recuperado o Simon. Dando uma risadinha, ela respondeu: “Era o gato errado. Simon estava em casa o tempo todo.” Deus respondeu à nossa oração fazendo com que o gato errado não se aproximasse de nós – e eu nem mesmo sabia.

Querido Jesus, obrigada por teres respondido à minha oração do Teu jeito.

Takara Greene


28 de julho

Sacolas Pesadas

Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. Gálatas 6:2, NVI.

Minha amiga e eu estávamos com nossas famílias na costa da Cornualha, sudoeste da Inglaterra. Um dia, decidimos sair para fazer compras na vila local, enquanto nossos maridos cuidavam das crianças. Estávamos querendo alguns momentos só para nós.

Tínhamos planejado andar pelas galerias de artesanato e tomar um chá de passa de Corinto com bolo de farinha de aveia, creme de coalhada da Cornualha e geléia de framboesa. Mas quando passamos pelo pequeno mercado, lembramo-nos de algumas coisas de que precisávamos para o jantar. Então pensamos no almoço do dia seguinte. Precisávamos de suco para os piqueniques e latas de sopa – e quando terminamos as compras, nossas sacolas estavam bastante pesadas.

Tentamos ligar para nossos esposos pelo celular, mas tínhamos nos esquecido de que nos encontrávamos num lugar onde não havia sinal telefônico. Havia sido uma curta caminhada até a vila, mas agora retornávamos subindo a colina. O sol estava quente e o peso das sacolas era grande. Nós duas começamos a reclamar das compras quando, de repente, tivemos uma idéia. Por que não trocar as sacolas, cada uma carregando as compras da outra? Era uma idéia um tanto maluca, porque as sacolas tinham quase o mesmo peso. Mas funcionou! De alguma forma, foi muito melhor carregar as compras da minha amiga do que as minhas próprias.

Desde então, tenho pensado em quão mais feliz a vida tenderia a ser se partilhássemos as cargas. Detesto limpar vidraças, mas me sinto melhor quando faço isso com meu marido. Deixar o quarto em ordem não está no topo da lista das coisas que meus filhos consideram divertidas, mas se eu os ajudo o trabalho parece sair mais rápido, as crianças aprendem dicas de “capricho” e nós conversamos, contamos histórias engraçadas e ouvimos música vibrante. Trabalhar juntos faz com que o trabalho pareça muito mais manejável.

Existe alguém próximo de você que esteja precisando de um alívio para seus fardos hoje? Há alguma tarefa que você precise fazer, para a qual poderia pedir a colaboração de alguém? Talvez você possa ajudar a limpar a casa de sua amiga, e depois ela viria e ajudaria a limpar a sua, e a carga ficaria mais leve.

Mas a melhor notícia de todas é que quando me imagino completamente só na luta, Jesus ajuda a carregar meus fardos. E da mesma forma como eu costumava ajudar minha mãe a carregar as sacolas do supermercado, acho que Ele carrega a maior parte do peso.

Karen Holford


29 de julho

Ladrão à Noite

O seu protetor se manterá alerta... O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. Salmo 121:3, 7, NVI.

Foi um daqueles dias quentes de verão, quando nada alivia o calor abrasador. O ventilador apenas faz circular o ar quente, o alimento perde sua capacidade tentadora e as crianças choramingam e ficam irritadas com facilidade. Todos em casa se sentiam no limite.

Antes da refeição da noite, saímos para arrumar as camas. Nesses dias, durante o verão, freqüentemente dormíamos do lado de fora. As camas foram feitas rapidamente, os mosquiteiros instalados e um balde de água colocado por perto, caso fosse necessário respingar os mosquiteiros para ajudar a refrescar.

Ao anoitecer soprou uma brisa suave, e os lençóis estavam frescos quando deitamos sobre eles. Não demorou para que as crianças dormissem. Meu esposo estava viajando, de modo que levei um pouco mais de tempo para adormecer. Não fazia muito que eu estava dormindo quando o meu mosquiteiro foi puxado. De repente começara uma ventania e não demorou para que todos os mosquiteiros voassem como velas de barco. Então ouvi trovoadas. Pulei da cama, gritando: “Crianças, levantem-se; vai chover!” Todas dormiam um sono pesadíssimo. Tive de sacudi-las, uma a uma. Por fim, levamos tudo para dentro.

A próxima coisa que eu percebi foi uma batida forte na porta. Abri os olhos e vi que já era de manhã. Destranquei a porta e ali estavam o vigia e dois funcionários da Escola Hapur. Um deles disse: “Sra. Christo, vocês estavam dormindo quando um ladrão tentou entrar na sua casa por esta porta!”

O vigia tinha visto um homem mexendo na porta. Quando o ladrão ouviu os passos, correu para uma das redes de dormir perto da porta e fingiu estar dormindo. O vigia, um vizinho e alguns outros o amarraram a uma árvore de papaia. Ficamos sabendo que ele acabara de ser libertado da prisão no dia anterior. O ladrão potencial foi mandado de volta para o presídio.

Deus mandou a tormenta para que fôssemos para dentro de casa, onde era mais seguro. Soubemos de casos de ladrões que assaltavam pessoas que dormiam do lado de fora, exigindo as chaves e depois roubando a casa. Deus estava cuidando dos Seus, e Lhe agradeço por ter cuidado de nós naquela noite. Deus sempre cumpre Suas promessas.

Birol Charlotte Christo


30 de julho

Anjos em Forma Humana

Porque aos Seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Salmo 91:11.

Estávamos a caminho do nosso novo local de trabalho, a 1.300 quilômetros do trabalho anterior. Já havíamos viajado quase mil quilômetros quando o carro caiu num grande buraco no asfalto e perdemos o controle. O veículo caiu num barranco profundo e capotou três vezes antes de parar num riozinho. Caí com a cabeça na água. Ouvi meu esposo gritando por socorro, mas, naquele ponto da rodovia, quem viria para ajudar-nos? Parecia que os últimos momentos da minha vida passavam.

Meu esposo conta como, dentro de minutos, Deus enviou quatro anjos em forma humana, operários que cortavam a vegetação ao longo da rodovia. Com suas foices afiadas, cortaram os cintos de segurança que nos prendiam nos assentos e nos puxaram para fora. Improvisaram uma maca para subir comigo até a estrada. Uma picape já nos esperava, e eles me colocaram nela para levar-me ao hospital.

Que pena eu não ter tido a oportunidade de ver o rosto daqueles anjos humanos! Mas eu teria outra oportunidade de conhecer anjos – os médicos e enfermeiras. Após quatro horas perdendo sangue e com uma fratura exposta do fêmur, eu precisava de cirurgia. Mas o anestesista disse que não arriscaria, porque meu organismo não suportaria a operação.
Nesse momento senti que minhas forças acabavam. Certamente havia chegado o tempo de deixar a Terra. Fiz uma oração silenciosa: Senhor, eu me coloco nas Tuas mãos! Uma enfermeira me tomou pela mão e sussurrou o Salmo 23 lentamente, junto ao meu ouvido. Na manhã seguinte, um dos médicos entrou no meu quarto. Segurou minha mão e pediu que eu apertasse a dele. Com um profundo suspiro, ele disse: “Achei que você não passaria desta noite!”

Se eu tivesse podido falar, teria dito: “Estou viva porque esse maravilhoso Deus uma vez mais colocou no meu caminho anjos em forma humana para me socorrer e salvar a vida!”

Deus é maravilhoso! Precisamos apenas entregar-nos a Ele diariamente sem reservas, e Ele operará maravilhas em nossa vida.

Muito obrigada, Senhor, por Teu imenso cuidado em guardar-nos dos perigos, e pelos anjos que ministram em nosso favor!

Arlete Francisco Leão


31 de julho

Cânticos Dentro da Noite

“Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” Jeremias 29:11, NVI.

Sempre gostei de estar com um grupo de jovens nos momentos de adoração, sentada ao redor de uma fogueira, com um violão como único acompanhamento. Nada de hinários. Isso às vezes leva a um ocasional improviso. Gosto de cânticos animados como “Nada Impossível é” e “Quando Deus Fizer Chamada”, e cânticos suaves como “Deus é Tão Bom” e “Lado a Lado”. Também gosto de ouvir o vento assobiando entre as árvores enquanto o orador procura levar-nos a uma caminhada mais íntima com Deus. De alguma forma, no vale ou no topo de uma montanha, sempre me foi mais fácil abrir verdadeiramente o coração e a alma para adorar a Deus. Existe algo na adoração a Deus em meio à natureza que faz com que Ele pareça mais perto e mais real. É isso que mais me toca.

Lembro-me de ter várias vezes parado junto à entrada de uma clareira, ou contemplado um lago ou olhado as estrelas. Muitas vezes me deleitei diante do maravilhoso fato de que o Deus que fez tudo me ama e aceita minha adoração. Houve algumas poucas vezes (geralmente quando algo me incomodava) em que me perguntei se eu era mesmo tão importante ou se era tão-só um fragmento animado de poeira cósmica.

Um dia, quando me sentia realmente frustrada, o Senhor me mostrou que eu era importante. Ajudou-me a perceber que Ele, o Deus de toda a criação, havia tomado tempo para me dar meu caráter básico, dons especiais e o potencial de fazer grandes coisas para Ele.

Recordo-me com clareza de uma vez quando, na escola fundamental, desejei seriamente ter nascido cem anos antes. Eu gostava tanto das histórias do velho Oeste e da vida no sertão que desejei ter estado lá. Agora, entretanto, reconheço que Deus sabia o tempo todo quando Ele queria que eu existisse e por quê. Sabe, finalmente aprendi que Deus sempre teve um plano e tem até os planos de reserva, para aquelas ocasiões em que frustro tantos dos dEle.

Agora, toda vez que me sento na encosta de uma montanha ou às margens de um lago, olhando para as estrelas e com uma fogueira ardendo atrás de mim, lembro-me de que estou no lugar e no momento em que Deus quer que eu esteja. Também me lembro de que, enquanto Deus criou todas as coisas apenas com o som de Sua voz, Ele criou nosso corpo com as Suas mãos e nossa alma com o Seu coração.

Juli Blood