21 de agosto

Você Pode Voltar

Seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. Lucas 15:20.

Foi durante o verão de 2000 que viajei do Canadá para Laurel, Maryland, e decidi visitar minha família em Rochester, Nova York. Na estação, no Canadá, fui informada de que teria de trocar o bilhete nos Estados Unidos. A parada seguinte foi em Buffalo, Nova York. Enquanto minha irmã e eu trocávamos os bilhetes, o ônibus que ia para Rochester partiu, e assim tivemos de ficar na rodoviária por umas duas horas, à espera de outro ônibus.

Quando viajo de um lugar para outro gosto de conhecer pessoas, mas naquele dia estava cansada e realmente não queria conversar com ninguém. Uma voz vinda de trás me perguntou: “Para onde está indo?” Eu me virei, vi uma simpática senhora e respondi que estava indo para Rochester e aguardava o ônibus seguinte. Quando perguntei para onde ela ia, respondeu: “Chicago”. Sua filha, que era médica, estaria à sua espera na estação rodoviária.

Então lhe contei que estivera assistindo a reuniões religiosas em Toronto e que cristãos do mundo todo haviam estado lá. Ela me contou que ficara sabendo dessas reuniões. “Sabe”, continuou ela, “eu costumava ir a essa igreja de tempos em tempos quando era novinha. Mas quando cresci queria fazer coisas que a igreja não aprovava. Não queria que os membros da igreja me olhassem com ar de desaprovação toda vez que eu fosse à igreja – e assim saí. Desde então não retornei a essa igreja.”

Ouvi sua história e, quando ela terminou, eu lhe disse: “A senhora pode voltar. Os membros a receberão e ficarão felizes por vê-la de novo. O melhor de tudo é que Jesus lhe dará as boas-vindas. Não interessa por que a senhora deixou a igreja ou o que está fazendo neste momento. Pode voltar.”

Ela prometeu que voltaria. Conversamos acerca de outras coisas, mas ao nos despedirmos naquele dia fiz com que ela se lembrasse da promessa de voltar para visitar a igreja que ela deixara.

Se você deixou sua igreja por alguma razão, pode voltar. Jesus a receberá, e pessoas semelhantes a Ele a receberão também. O filho pródigo voltou e foi recebido de braços abertos por seu pai. Não é tarde demais. Você pode voltar.

Mildred Ellen Moore


22 de agosto

As Formigas

Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam. Deuteronômio 30:19, NVI.

Era verão e sairíamos para um período de uma semana de férias muito aguardadas e muito merecidas. Limpamos e carregamos nossa casa motorizada e nos dirigimos ao Parque Estadual dos Veteranos, em Cordele, Geórgia. Duas horas depois chegamos ao local do nosso acampamento, à sombra de altaneiras árvores e junto a um bonito lago que refletia o azul do céu e era beijado por uma brisa suave. A paisagem era tão linda e tranqüila que parecia uma daquelas que você vê num cartão postal.

Arrumamos as coisas, almoçamos e levamos nosso cachorro para uma caminhada. Mais tarde, ao anoitecer, quando entramos em casa, descobri minúsculas formigas pretas marchando sobre o balcão da cozinha. Rapidamente as tirei com uma toalha de papel molhada, seguindo a sua trilha. Procurei por tudo, dentro e fora, em busca do lugar por onde entravam, mas não o achei.

No dia seguinte, fui à loja do acampamento e comprei iscas para formigas e as coloquei ao redor, mas elas continuaram entrando. Durante a semana toda batalhei com as formigas, decidida a livrar-me delas e conservá-las do lado de fora.

Quando desligamos a eletricidade para empacotar as coisas e ir embora, finalmente descobrimos por onde as formigas entravam. Elas subiam pelo cabo da energia elétrica ligado à caixa do interruptor no chão, ao lado do nosso trailer.

As formigas me fizeram lembrar do diabo. Ele procura constantemente algum buraquinho que deixamos desguarnecido para entrar em nosso coração. Lembro-me de ter ouvido um sermão no qual o pregador disse que o diabo nunca nos leva das alturas espirituais para o fundo do pecado num grande passo. Ele faz um pouquinho de cada vez, para que não percebamos aonde nos está levando.

Sempre admiro a paciência do Senhor. Ele está sempre disposto a me ajudar a vedar os furinhos que deixo abertos em minha vida ao fazer escolhas erradas.

Muito obrigada, Senhor, pela vida eterna que ofereces a cada uma de nós.

Célia Mejia Cruz


23 de agosto

Brincando de Guarda-Costas

O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, Ele está à sua direita. Salmo 121:5, NVI.

Estava muito quente enquanto meu irmão e eu brincávamos de “mercearia” no nosso quintal durante horas. Eu era a freguesa e meu irmão era o balconista. Sem grande preocupação a nosso respeito, vovó preparava o almoço enquanto uma ajudante limpava a casa. Vovó nunca precisava se preocupar muito conosco, porque éramos sempre crianças bem comportadas. Um dia, porém, as coisas foram diferentes. Quase lhe provoquei um ataque cardíaco quando decidi sair pela vizinhança para juntar algumas coisas para nosso “armazém”. Vovó pensou que eu havia sumido.

Enquanto sua ajudante cuidava do meu irmão, vovó começou a me procurar ao redor da casa, depois na nossa rua e finalmente pela vizinhança. “Alguém viu uma menininha de cabelo loiro e olhos verdes, de uns quatro anos de idade?” perguntava ela às pessoas que moravam no bairro. Quanto mais respostas negativas recebia, mais aflita vovó ficava. Estava ficando tarde e eu não aparecia.

Quando vovó chegou à praia que fica a uns 500 metros da casa, um rapaz, vendo o estado de vovó, decidiu prontamente ajudá-la. Ela saiu procurando numa direção e ele foi para o lado oposto. Mas nenhum deles me encontrou.

Vovó estava extremamente desesperada; a única coisa que lhe restava fazer era esperar que meu avô chegasse para avisar a polícia. Ela agradeceu ao bondoso rapaz e voltou para casa. Só posso imaginar a expressão do seu rosto, a alegria e o alívio que a dominaram, quando ela abriu a porta e me viu dentro de casa. Quando me perguntou o que havia acontecido, simplesmente respondi: “Fui buscar fermento para a nossa mercearia”.

Posso imaginar vovó me dando um grande abraço e secando as lágrimas que se misturavam no nosso rosto. Ela certamente deve ter feito uma oração de agradecimento a Deus, porque Ele havia enviado alguns amigos da família para me encontrar, perdida na rua, e me levar de volta para a casa dos meus avós.
Numa linguagem quase infantil, gosto de dizer que Jesus “brinca de guarda-costas” porque está sempre ao nosso lado, oferecendo-nos a Sua amorável proteção. Não precisamos ter medo de andar ao longo das avenidas da vida, porque Ele está pronto a estender Sua mão e oferecer-nos a Sua agradável companhia.

Carolina Kuntze Silveira


24 de agosto

Amar a Misericórdia

Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. Miquéias 6:8.

Miquéias 6:8 era o texto favorito de meu pai. Freqüentemente ele o repetia para mim. Ele era misericordioso e sempre procurava ajudar os pobres a encontrar emprego ou ganhar ações nos tribunais.

Um dia ele observou uma senhora idosa sendo maltratada por seus próprios filhos. Ele notou a escassa roupa de cama no canto onde era obrigada a dormir no chão frio. Notou que ela devia comer sozinha e lavar seu prato. Meu pai me perguntou se eu colaboraria com ele, ajudando aquela mulher. Prometi que tentaria. Então ele comprou um cobertor e pediu que eu o entregasse a ela. Eu não tinha muita certeza se isso ajudaria ou insultaria a família, já que eles tinham recursos. Mas com boa-fé, fui. Quando entreguei a ela o cobertor, tudo o que ouvi foi uma ordem da neta, de que ela deveria me agradecer. Fiquei aliviada e voltei para casa. Foi dessa maneira que meu pai me ensinou a ajudar os outros.

Agora, como mãe, meu coração se regozija por ver meus próprios filhos ajudando os outros. Certa vez, um dos meus filhos foi gravemente ferido num acidente causado pelo descuido de outros. Seu veículo foi danificado e precisou de conserto, e ele ficou confinado ao leito com múltiplos cortes e pontos. Quando a polícia lhe falou sobre a multa contra o ofensor, ele disse: “Vamos encerrar o caso; o homem é pobre demais para pagar.”

Quando Moisés pediu a Deus que lhe mostrasse a Sua glória, Deus poderia ter mostrado Sua majestosa forma, o esplendor do Céu, poderosos exércitos de anjos ou as numerosas galáxias de estrelas e mundos não-caídos. Mas não, Deus preferiu revelar Sua misericórdia. Ao passar diante de Moisés, proclamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êxodo 34:6).

Como pecadora, mereço a sentença de morte, mas Jesus assumiu essa condenação por mim e me libertou. Assim mesmo, quantas vezes julgo os outros sem misericórdia nenhuma? Luto pelos meus direitos. Exijo justiça. Tiago 2:13 diz que se não mostramos misericórdia aos outros, até Deus nos julgará sem misericórdia. Jesus diz: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). Certamente preciso obter essa preciosa misericórdia do meu Salvador.

Birdie Poddar


25 de agosto

Não Precisa Ser Verde Para Ser Bonito

Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez. Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Eclesiastes 3:11, 12, NVI.

Eu dirigia meu carro alugado pelo deserto do sul da Califórnia. Era meado de agosto, e a temperatura no painel do carro registrava 42 ºC. Ao olhar para a direita, para a esquerda, para trás e para a frente, era tudo igual – marrom! Uma areia marrom se estendia em ambos os lados da rodovia, e um crescente de montanhas majestosas, mas marrons, se erguia ao céu à minha esquerda. Nenhum sinal de vida, em lugar nenhum. Pensei: Este deve ser o lugar mais feio que já vi. Que contraste com Tennessee – o verde e lindo Tennessee, com suas árvores viçosas, gramados verdes, rios sinuosos e belas colinas! Lá todos os picos são tão diferentes, cobertos com folhagem verde, flores silvestres e árvores altaneiras.

Quando cheguei ao meu destino, Palm Springs, descobri que não era diferente. Tudo ao meu redor ainda era areia marrom. As únicas mudanças eram aquelas que os seres humanos haviam feito: hotéis e áreas de lazer cuidadosamente planejadas e irrigadas para criar uma pequena ilusão verde.

Uma das minhas filhas, que havia passado vários anos naquela região enquanto estudava, perguntou: – Não foi uma viagem linda? E as montanhas, não são uma beleza?

Nem pude crer nas suas observações. – Não – disse eu. – É tudo tão feio, tudo marrom!

– Mamãe – disse ela – nem tudo precisa ser verde para ser bonito. Você notou como a areia parece lisinha, como um carpete desenrolado? E as montanhas, que assumem todos os tons de castanho e dourado, como se cintilassem ao sol? À tardinha as montanhas vão do bronze aos matizes de lilás e púrpura, quando o sol começa a se pôr. – Não, eu realmente não havia observado nada daquilo. Eu só procurava coisas verdes.

Às vezes andamos pela vida desse jeito, perdendo a florzinha amarela do cacto ou a montanha de pico violeta porque achamos que só encontraremos a beleza nas maiores, mais comuns e mais verdes experiências da vida. Podemos na verdade achar beleza em nossas cercanias, nas circunstâncias da nossa vida individual, se aprendermos a apreciar as bênçãos que se encontram em cada experiência vivida.

Bárbara Smith Morris


26 de agosto

Amigos do Correio Eletrônico

Há amigo mais chegado do que um irmão. Provérbios 18:24.

Comecei a aprender computação em 1983. Naquela época, trabalhávamos com um sistema chamado DOS. Não tínhamos o Windows 3.1, nem sequer 95 ou 98. Era muito mais difícil rodar programas ou processar textos. Nunca assisti a aulas de computação, mas lia manuais e perguntava àqueles que sabiam. Então fui trabalhar com o meu computador. Ajudava a fazer seminários no meu trabalho da biblioteca. Depois veio o correio eletrônico.

A capacidade dos primeiros e-mails era como a de um velho modelo Ford T. Hoje o mundo dos e-mails evoluiu para algo único. Posso escrever para parentes e amigos em Vermont, Washington, Flórida, Michigan, Califórnia, África e outros lugares, e receber respostas quase instantaneamente. Ainda me correspondo com ex-alunos das décadas de 60 e 70. Não importa onde moram; se têm um computador e acesso à Internet, posso “falar” com eles por e-mail.

Um dos meus passatempos é a genealogia. Enquanto faço pesquisas sobre linhagens familiares, muitas vezes encontro outros que estão trabalhando em diferentes áreas da mesma linhagem familiar. É uma grande ajuda corresponder-se com essa pessoa e comparar dados. Podemos, juntos, reunir mais informações do que cada um conseguiria sozinho. Sem o recurso do e-mail, meu trabalho avançaria lentamente. Acredito que Deus me ajuda, inclusive na genealogia; de outra maneira, a Bíblia não teria todas aquelas expressões “e gerou filhos e filhas”.

Alguns dos e-mails para essas pessoas são breves, e me correspondo só uma vez ou duas. Meus amigos do correio eletrônico são aqueles com quem cultivo uma amizade verdadeira e a quem desejo conhecer. Muitas vezes partilhamos não só anotações sobre antepassados, mas fotos de nossa família, dos nossos bichos de estimação, nossas filosofias e sobre nós mesmos.

Os amigos do e-mail podem tornar-se muito íntimos, assim como os amigos do dia-a-dia, embora nunca nos tenhamos encontrado. Algumas pessoas perguntam a respeito da minha fé em Deus: “Como é que você pode crer em alguém a quem não vê ou com quem não pode conversar?” Se posso fazer amizade com pessoas via e-mail, quão mais fácil é tornar-me amiga do Deus do Céu, que me criou, criou meu mundo, sem o qual eu não teria essas conveniências modernas, incluindo meu computador? Por mais rápido que seja o e-mail, Deus é ainda mais rápido. Ele me responde antes que eu chame.

Loraine F. Sweetland


27 de agosto

Minha Horta Rebelde

Serás como um jardim regado. Isaías 58:11.

Bem, na verdade não posso colocar toda a culpa na horta. Afinal de contas, com exceção das ervas daninhas, nós a plantamos. As coisas simplesmente têm um jeito de ir além da sua localização original. Os cravos avançaram pelo canteiro de moranguinhos, e os moranguinhos invadiram o canteiro da cebola e dos aspargos. Embora tenha sido plantado uma vez só, anos atrás, o endro reina sobre uma extremidade da horta, além de brotar aqui e ali entre os moranguinhos. Este ano plantei algumas sementes de moranga entre carreiras de milho, e sua ramagem agora se estende por metros em diferentes direções, avançando rumo às abóboras e ao feijão. Num ano, acidentalmente plantei sementes de flores onde eu já havia plantado quiabo, mas não foi desagradável colher quiabo entre risonhas flores! Noutro ano, a ramagem do pepino subiu pelos pés de milho. Então houve uma vez em que fiquei sem espaço e plantei melancia no canteiro de rosas. Mais uma vez, neste ano, os tomateiros formam um anel ao redor dos moranguinhos.

Na verdade, com a superabundância de chuva na primavera e no início do verão, nossa horta é quase um carpete sólido, com pouco ou nenhum espaço entre as fileiras, tornando quase impossível passar sem esmagar as abóboras!

Tínhamos um cunhado que era médico de família por profissão, mas agricultor de coração. Embora seus filhos detestassem trabalhar na horta, o filho mais velho é hoje um hortelão-mestre que ficaria perplexo diante do nosso matagal. A sua área cultivada, seja pequena ou grande, tem a perfeição de um quadro, atentamente plantada e cuidada, linda de se ver. A despeito do trabalho regular que meu esposo e eu fazemos arrancando ervas daninhas, não conseguimos manter toda a plantação livre desse mato irritante.

Tenho outro jardim, e ele também precisa de inspeção regular, limpeza e cultivo: o jardim do coração e da mente. O inimigo planta sementes do pecado, da dúvida e dos cuidados deste mundo. Por mais que eu tente, sou incapaz de livrar-me de todos os cardos, espinhos e ervas daninhas. É uma tarefa tão esmagadora que às vezes me pergunto desesperada se este jardim algum dia será bonito e limpinho. Então me lembro de que há um Jardineiro-Mestre de plantão, pronto para usar Suas ferramentas especiais para desarraigar as plantas indesejáveis e substituí-las com algo belo. Ele anseia fazer o mesmo por todos.

Se você ainda não o fez, não gostaria de convidá-Lo a entrar no jardim do seu coração hoje?

Mary Jane Graves


28 de agosto

Tesouros Inesperados

O reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Mateus 13:44, NVI.

Havíamos adquirido mais de 4.000 m2 de terra e construído nossa casa sobre a parte mais elevada, de onde podíamos ver o lindo Lago Macquire e desfrutar as brisas do verão. Pouco a pouco domesticamos a terra, plantando jardins e um pomar, mas lá embaixo florescia a vegetação nativa da Austrália.

Era lindo olhar as diferentes espécies de eucaliptos e observar os coloridos periquitos australianos descendo numa nuvem para banquetear-se com o néctar das flores da seringueira. Havia também as lindas bolinhas de pluma amarela formando uma só massa quando a acácia florescia.

Os pássaros estavam sempre lá para nos deleitar.

Meu esposo decidiu limpar a área da flora nativa; o solo era tão prolífico que seria um real perigo no verão, quando irrompem incêndios. O trabalho foi duro e difícil, especialmente porque uma persistente glória matutina cobria cerca de metade da área e obviamente crescera com todo o vigor por muitos anos. Foram semanas para combater o inimigo, mas a determinação dele venceu.

Certa manhã, enquanto ele cortava e cavava, encontrou uma coisa muito estranha. Ele achou que devia estar imaginando, mas parecia um ramo de amoreira bem fundo, no chão. Fascinado, continuou trabalhando e ali estava ela, uma amoreira tolhida pelo peso e pelos braços opressivos da glória matutina, mas era mesmo uma amoreira.

Ele correu colina acima tão rapidamente quanto podia para me contar a respeito da intrigante amoreira. Meu esposo ama amoreiras; havíamos plantado uma, e agora havia duas, e você pode ter certeza de que a segunda receberia atenção e cuidado especial.

O simbolismo não se perdeu para mim. Era realmente uma parábola no meu próprio quintal. Não importa quão sobrecarregada eu esteja – posso até sentir-me afundando sob o peso do entulho deste mundo – o Salvador está disposto a afastar todo esse lixo para me dar a melhor oportunidade possível de crescer para tornar-me o que Ele planejou que eu fosse. Necessito de Seu cuidado e atenção para sobreviver.

Ele inclusive me considera um tesouro que vale a pena resgatar. O inimigo não me pode manter sufocada.

Úrsula M. Hedges


29 de agosto

Dons de Deus

Eu fiz a terra e criei nela o homem; as Minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as Minhas ordens. Isaías 45:12.

As ondas se quebravam incessantemente na praia. A maré subia naquele meio-dia de agosto. O tempo estava quente e o sol brilhava entre esparsas nuvens escuras. Todo tipo de pessoas enchia a praia, em grupos ou a sós. Algumas liam o famoso livro da temporada; criancinhas se ocupavam fazendo castelos, túneis ou o que imaginassem com a areia molhada. Outras juntavam as costumeiras conchas trazidas até a praia.

Eu também havia ido à praia para desfrutar uma boa leitura com a vantagem do sol e do som do quebrar interminável das ondas. Eu morava ali o ano inteiro, mas também queria participar desse grande prazer que traz tantas pessoas do país todo e do mundo também.

Por fim, coloquei o livro de lado e saí para minha caminhada. Freqüentemente ando pela praia para desfrutar a água fresca. Este é o Oceano Atlântico, e estamos muito ao Norte para que a água do oceano fique realmente aquecida. Após alguns passos, ela está na temperatura certa para mim, e me deleito com o quebrar das ondas e a contínua e interminável procura por conchas – por aquele grande achado.

As nuvens flutuavam esplendidamente no céu acima de mim, mudando de forma e de cores. Fico sempre fascinada com a beleza delas, seja qual for a hora do dia ou da noite. Elas me fazem pensar na majestade de Deus tão lá no alto, e muitas vezes me descubro orando. Quero agradecer-Lhe uma e outra vez a beleza de Sua criação. A grande beleza visual e sonora deste oceano em constante movimento, o desfile de cores e formas no céu e as majestosas árvores à distância na praia declaram Sua grandeza ao criar tudo isso para nossa alegria.

Uma menina correu na minha direção, com as mãos fechadas sobre algo especial. Ela parou diante de mim e cautelosamente ergueu um dedo para me mostrar. “É uma monarca.” Sorrimos ao apreciar a beleza da borboleta monarca, mais uma das criações especiais de Deus. Retornei à minha cadeira de praia e juntei meus pertences. Fui novamente muito abençoada nesse período de tempo especial em meio à criação de Deus.

Verdadeiramente, o amor de Deus é revelado ao nosso redor, enquanto passamos pelo caminho da vida. Não nos esqueçamos de Lhe expressar nosso agradecimento, vez após vez.

Dessa Weisz Hardin


30 de agosto

Meu Jardim na Árvore

No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida... e as folhas da árvore são para a cura dos povos. Apocalipse 22:2.

A vida não começou desse jeito para a ameixeira que se encontra na extremidade do meu jardim. Na condição de muda, ela continha a promessa de doces e suculentas ameixas que um dia saborearíamos de seus graciosos ramos. Em seu primeiro ano de maturidade, ela produziu uma profusão de lindas flores brancas. Isso elevou nossa expectativa. Até hoje, contudo, nossa ameixeira não conseguiu reter e desenvolver os frutos até se tornarem maduros. Embora eu não seja especialista em fruticultura, arrisco o palpite de que a falta de uma suficiente polinização por cruzamento esteja na raiz do seu problema.

No meu estilo característico, sugeri enfaticamente ao meu esposo que, se a árvore não produzisse frutos como se esperava, ela devia sair do mapa. Imagens de uma esplêndida magnólia em flor me rodopiavam pela cabeça. Felizmente para mim – e para a árvore – Leon acredita em dar uma segunda e uma terceira oportunidades até a uma planta com aparência de morta, quanto mais a uma árvore viva. Ele concluiu que a localização da árvore era perfeita para nela se pendurar uma casinha de alimentar pássaros. Agora víamos os passarinhos de qualquer janela dos fundos da nossa casa. Subseqüentemente, ele pendurou na árvore cestas de flores. Gostei tanto da idéia que fiz como ele, pendurando minhas próprias cestinhas de flores. Vendo a árvore com aquele esplendor colorido, cheguei a me perguntar se não seria esse mesmo o seu propósito. A árvore não é muito alta. Seus ramos são baixos e bem estendidos, o que torna fácil a manutenção das cestas de flores. Num dia quente de verão, nossos netos gostam da sombra que ela proporciona.

Queridas irmãs, vocês não ficam felizes porque só Deus consegue ser Deus? Quando deixamos de viver à altura do potencial que nos deu, Ele não nos corta fora e destrói, como eu teria feito com minha ameixeira. Em vez disso, nosso Pai celeste toma os cacos da nossa vida e os refaz e remodela em algo belo. Ele nos dá outra oportunidade de receber o acabamento perfeito que deseja para nós.

Ajuda-me, querido Pai, a estar na Terra renovada, onde poderei sentar-me sob a árvore da vida e falar contigo face a face.

Avis Mae Rodney


31 de agosto

Maré Alta

Muito obrigado, Senhor, pela ajuda. Minha confiança em Ti saiu fortalecida. Minha fé está firme. Cantarei louvores e dar-Te-ei graças. Salmo 57:7, versão Clear Word.

Meu filho Don e eu estávamos passando por várias ilhas nas Filipinas. Nossa última parada havia sido fabulosa e emocionante, e foi inesquecível a recepção que nos estenderam nossos velhos amigos da chefia do hospital local. Para ter certeza de que estávamos bem acomodados, permitiram que pernoitássemos na unidade de terapia intensiva, que tem ar-condicionado. Enquanto saboreávamos um delicioso e saudável desjejum, a enfermeira-chefe nos perguntou o que gostaríamos que eles fizessem para tornar nosso dia ainda mais agradável.

Don esperava praticar mergulho ao largo da famosa Ilha Mactan. Não tínhamos idéia de como encontrar transporte ou chegar lá ou onde conseguir a parafernália de que precisaríamos. Uma das mulheres realizou nosso desejo ao conversar com a Dra. Cruz, que pediu que seu filho nos levasse à ilha. O filho pediu à sua esposa, também mergulhadora, que fosse junto. A Sra. Cruz preparou rapidamente um lanche para a família e para nós. O Sr. Cruz verificou a van para ter certeza de que havia combustível; então fomos à praia, chegando à hora do almoço. Depois de um ótimo piquenique, Don e o Sr. Cruz encontraram uma loja de equipamentos onde se abasteceram com trajes de mergulho e outros acessórios e se dirigiram à parte profunda do mar.

As crianças nadavam na praia, sob a supervisão de sua mãe, e então me deixei levar na direção do quebra-mar. Ver de perto os corais, peixes, anêmonas-do-mar e o suave balanço das algas me fascinou. Deliciei-me ao sentir a corrente passando contra minha pele, mas não percebi que havia entrado no canal por onde sobe a maré. A corrente estava ficando mais forte e achei aquilo interessante. Mal sabia eu que poderia ser rapidamente arrastada para longe.

Nesse momento Don me viu. Gritou: “Mãe, o que você está fazendo?” Naquele exato momento percebi que a forte correnteza estava sobre mim e se tornaria intransponível numa questão de segundos. Don estendeu sua forte mão e eu a agarrei com força. Ele me puxou e fui salva do desastre.

Muitas vezes andamos por aí sem destino, despreocupados, inconscientes quanto às seduções da vida. Nossa atenção é desviada e nos encontramos em perigo. Nosso Pai, que nos vigia com amor e compaixão, nunca nos deixará cair no poço do pecado se recorrermos a Ele.

Esperanza Aquino Mopera