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1º de dezembro


Cuidado Divino


Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Salmo 46:1


Em 1974, eu trabalhava num consórcio de mineração em Nova Lisboa, Angola, África; era responsável pelo laboratório de pesquisa. Numa tarde, minha amiga, diretora da escola primária localizada perto do palácio do governador, telefonou para me dizer que houvera um tiroteio perto da área da escola e que devíamos, sem pânico, ir buscar nossos filhos. Eu também precisava avisar algumas das minhas colegas que tinham filhos no jardim da infância, acerca do que estava ocorrendo. Tão calmamente quanto me foi possível, expliquei a situação a elas e lhes disse que fossem, uma de cada vez, com um intervalo entre uma e outra. Aguardei até ser a última.


Perto do palácio do governador, havia soldados atrás das colunas dos prédios que rodeavam a praça central. Notando que o estacionamento da escola estava lotado, estacionei fora da área da escola, perto da casa do presidente. Ao caminhar na direção da escola, passei junto ao carro do presidente e ouvi um zumbido estranho ao meu lado. Entrei num jardim próximo, no momento em que alguém gritava: “Maria, jogue-se no chão!”


Obedeci imediatamente. Deitada na grama, entre arbustos e flores, pude ver um grupo de jovens que também se protegiam. Por trás do portão da casa do presidente, vi alguns soldados com armas na mão. Então, soube que o zumbido que eu tinha ouvido viera das balas que voavam acima de nossa cabeça. Não sei por quanto tempo permaneci ali, antes de ouvir movimento e passos em minha direção. Eram os alunos do ensino médio e um dos seus professores, aproveitando a calma e voltando para casa.


Levantei-me, corri até o meu carro, fui ao estacionamento e peguei meus filhos. Pedi-lhes que se deitassem entre os bancos para que ninguém os visse, e voltei para casa, indo por um caminho mais longo e menos conhecido.


Embora a escola se localizasse entre as sedes dos dois grupos em conflito, Deus nos protegeu, bem como a cada criança, jovem, professor e funcionário que trabalhava na escola. Jamais me esquecerei de quão misericordioso foi o Senhor e como cuidou de nós naquela ocasião. Ele é fiel.


Maria Sales

 



2 de dezembro


Memória Celular


Até a terceira e quarta geração. Êxodo 20:5, NVI


Melissa passou saltitando pela cozinha, com o rabo-de-cavalo a balançar na parte traseira do seu boné. “Simplesmente amo o beisebol!” Pulinhos. Pulinhos. – Meus filhos vão gostar do jogo tanto quanto eu, certo?


– Não é garantido – respondi –, mas, se continuar praticando, você pode passar adiante um pouco de memória celular.


– Vou ter nove filhos; poderemos formar nossa própria equipe –


Ela parou abruptamente. – Memória celular?! – Isso provocou uma discussão acerca de pesquisas recentes, segundo as quais começamos a vida com duas células vivas que já contêm memória celular relacionada com o comportamento e os hábitos do pai e da mãe. Como exemplo pessoal, mencionei que minha mãe havia sido uma dançarina de sapateado e...


– Você nunca me contou isso! – interrompeu Melissa.


– Eu não sabia até pouco antes de ela morrer – respondi. – Era um segredo de família. – O corpo delgado de Melissa se curvou com a forma de um ponto de interrogação. – Desde as minhas lembranças mais antigas – continuei –, toda vez que eu via alguém dançar sapateado, cada célula do meu corpo queria movimentar-se com o ritmo. Não conseguia entender esse impulso; dançar era impensável na nossa família. – Fiz uma pausa, relembrando. Pouco antes do falecimento de minha mãe, ela respondera a um dos meus comentários, dizendo: “Bem, eu dançava sapateado, como você sabe.” Não; eu não sabia! “Na verdade, eu dançava pela casa como exercício, durante pelo menos sete meses da minha gestação, enquanto esperava você.”


– Com essa informação – expliquei a Melissa –, tudo fez sentido. Minhas células do cérebro e do corpo haviam guardado lembranças cinestésicas da dança de sapateado. Consequentemente, eu passava por impulsos inexplicáveis de fazer a mesma coisa.


Silêncio. Então, Melissa disse, devagar: – Puxa! É conveniente, nesse caso, escolher meus comportamentos com cuidado, para o bem dos meus filhos!


Bingo! Em voz alta, eu disse: – Boa decisão, garota. É melhor começar agora mesmo, já que você tem todos os óvulos de que vai precisar na vida, e eles estão armazenando memória celular com cada pensamento, palavra e ato seu. – Mas Melissa já se dirigia ao telefone, para perguntar à sua mãe o que ela costumava fazer durante a gravidez. Ri sozinha. Nove filhos. Ela seria bem capaz disso!


Arlene Taylor

 



3 de dezembro


Conte a Todo o Mundo!


Exultarei com grande alegria por Teu amor, pois viste a minha aflição e conheceste a angústia da minha alma. Salmo 31:7, NVI


Tenho a tendência de ser fortemente influenciada por minhas emoções. Certas circunstâncias podem me causar noites de insônia e me deixar matutando durante horas. Foi numa dessas ocasiões que meu equilíbrio emocional estava muito baixo. Durante semanas, até coisas pequenas me preocupavam noite adentro e me causavam ataques de pânico. Sou cristã e conheço o “número da ligação de emergência”; eu o havia discado; mas, por algum motivo, a conexão não funcionava muito bem.


Ao mesmo tempo, nossa igreja estava realizando uma Semana de Oração. Até o simples pensamento de assistir todos os dias me causava problemas. Não; eu não iria lá todas as noites; naquele momento, eu simplesmene não podia! Quando anoiteceu e o relógio indicava que logo começaria a reunião de oração, uma voz interior insistiu para que eu fosse à igreja. Isso se repetiu todos os dias da semana. Assim, por meio do Espírito Santo, Deus me ofereceu uma renovada conexão que fora interrompida de minha parte.


Por fim, no sábado, o último dia da Semana de Oração, Deus me proporcionou uma experiência maravilhosa. À tarde, abri o livro devocional das mulheres, para encontrar forças e coragem a partir das muitas experiências relatadas. Eu já havia lido vários devocionais, quando um título me chamou especialmente a atenção: “Senhor, ensina-me a confiar em Ti.” Sim, confiar, era disso que eu precisava naquele momento, e decidi continuar lendo aquela meditação. Após as primeiras linhas, percebi que estava lendo algo que eu havia escrito – uma experiência que tivera anos antes e que na época me influenciara fortemente a fé. E agora podia tirar forças dali. Lembrei-me da íntima parceria com Deus e de como me apegara a Ele naquela situação particular, confiando em Suas promessas, que se cumpriram, assim como Ele havia dito.


Graças Te dou, querido Pai celestial, por haveres tomado minha mão outra vez, e me feito atravessar um rio profundo. Sempre sabes de que necessito! Também sou grata às mulheres que escrevem para o livro devocional, por partilharem suas experiências que têm ajudado, a mim e a outras, a superar nossos momentos de pessimismo.


Sim, conte a todo o mundo o que o Senhor tem feito por você!


Anita Eitzenberger

 



4 de dezembro


Tubos de Louvor


Quem é esse Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória. Salmo 24:10


A música sempre fez parte da minha vida. Aprendi quando criança a tocar piano, e depois passei para o órgão eletrônico. Tornei-me musicista na igreja, tocando sempre que houvesse necessidade. Aprendi a tocar órgão de tubos, o que resultou num cargo de expediente integral que tenho ocupado há muitos anos, encarregando-me da música para os cultos semanais, casamentos, funerais, batismos e outros programas.


Tocar o “rei” dos instrumentos tem sido um desafio, mas também uma experiência jubilosa; os sons produzidos, porém, são tão bons quanto a pessoa que os cria – o(a) organista. Podem ser vibrantes e majestosos, ou suaves como um sussurro – tudo dependendo de se puxar os devidos registros.


O compressor proporciona um abastecimento contínuo de ar para os foles, que dão o som aos tubos. Às vezes, isso é afetado por uma mudança extrema de temperatura – os registros não respondem, o som falha ou as notas saem do tom. Há pouco tempo, numa noite quente, o fusível se queimou – um forte lembrete de quão inútil se torna esse grandioso instrumento sem a energia elétrica. Grandes como possam ser, todas as invenções humanas estão sujeitas ao fracasso. Felizmente, essas ocorrências não são comuns, e podem ser desculpadas quando se leva em consideração que este órgão foi construído em 1881. Com manutenção regular feita pelo técnico, ele continua a produzir música de louvor. O instrumento que toco é considerado um dos órgãos com mais belo som em Adelaide.


Todos os anos, a igreja apresenta um culto natalino à luz de velas, um evento especial com grande auditório. É emocionante ouvir o trompete e os tímpanos acompanhando o órgão, e as palavras são inadequadas para descrever a grandiosidade de um coral de 90 vozes que se coloca ao meu redor, no consolo do instrumento.


O hino de Charles Wesley, “Oh, como é bom louvar meu Deus!” me fez pensar em quão extraordinário será cantar com corais de anjos. No Céu, não haverá notas desarmoniosas ou fusíveis queimados – Deus não depende de eletricidade ou de técnicos. Tudo será harmonioso, com louvor e glória a Ele, que nos deu a voz.


Ao contrário do “rei” dos instrumentos, Deus nunca nos deixa na mão. Ele é poder e majestade; mas, ainda assim, como uma voz mansa e suave, reafirma-nos o Seu amor como Salvador e Rei dos reis, acima de todos.


Muito obrigada, Jesus, pelo dom da música. Que eu toque sempre de modo a trazer honra e glória ao Teu nome.


Lynn Welk-Sandy

 



5 de dezembro


Subindo o Monte


Todavia, como está escrito: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que O amam.” 1 Coríntios 2:9, NVI


Após muitos anos de total dedicação à obra do Senhor, chegamos à nossa tão aguardada aposentadoria. Como os pais do meu esposo eram agricultores, ele se considerava filho do interior, e seu sonho era possuir um pequeno sítio. Após anos, orando e procurando, Deus nos deu o que queríamos – uma pequena propriedade rural, numa aprazível região com clima maravilhoso e muitas árvores frutíferas, em Santa Catarina, no sul do Brasil.


Deus Se preocupa sempre com o que é melhor para nós, concedendo-nos, muitas vezes, bem mais do que pedimos. A terra na frente da nossa fazenda é plana, com uma pequena montanha nos fundos. Um dia, eu disse ao meu esposo: “Vamos escalar o monte. Você verá que a vista lá de cima é esplêndida! Certamente a subida não será fácil, mas o esforço valerá a pena.”


Assim, fizemos os preparativos e começamos a subida com nossos fiéis companheiros caninos, Moleque e Bonzão. Enquanto subíamos, enfrentamos várias dificuldades. Num determinado ponto, uma rocha era grande demais para ser transposta; em outro local, havia pedregulho solto, o que nos levava a escorregar. Havia arbustos com espinhos. Até uma pequena serpente nos surpreendeu, fazendo com que eu pulasse, assustada. Os cachorros corriam, ora à nossa frente, ora atrás de nós, passando às vezes, inclusive, entre as nossas pernas, quase levando-nos a uma queda.


Chegamos, por fim, ao topo do monte e nos sentamos sobre uma grande pedra para olhar ao redor. Como foi maravilhoso olhar de cima e ver outras montanhas, a estrada estreita, lagos e rios sinuosos! “A escalada realmente valeu a pena!” exclamamos. Tomados pela alegria do momento, cantamos um hino.


Nosso preparo para o Céu não é diferente. Enfrentamos muitos obstáculos, escorregamos aqui e ali, encontramos espinhos. Muitas vezes, precisamos começar de novo. Há momentos em que recebemos influências negativas de fora do nosso lar (e às vezes de dentro), e pode até acontecer que nos desviemos do caminho que nos leva ao “topo”. Graças ao nosso bom Pai celeste, Ele nunca nos abandona, e a subida se completa. Tenho certeza de que valerá a pena!


Jaci da Silva Vôos

 



6 de dezembro


“Salvar” ou “Salvar Como”


Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim um espírito inabalável. Restitui-me a alegria da Tua salvação. Salmo 51:2, 10, 12


Aquelas de vocês que usam computador regularmente conhecem as opções de “salvar” e “salvar como”, sob o comando “Arquivo” na barra de menus. Embora eu deteste admiti-lo, porque pode parecer que minha capacidade de compreensão seja gravemente prejudicada, levou anos para que eu entendesse a diferença entre as duas opções. Meus filhos, tecnologicamente “por dentro”, ainda balançam a cabeça quando menciono isso.


Certo dia, eu preparava o boletim semanal para a minha classe quando Arlene, outra professora, entrou e viu o que eu estava fazendo. Depois de fazer algumas perguntas, ela imediatamente percebeu que, a cada semana, eu alterava o boletim, mas não salvava o anterior. Indagou por que eu não salvava os boletins anteriores, para, no fim do ano letivo, ter todos eles. Admiti que, simplesmente, não entendia como fazer isso. Ela, então, explicou como usar essas opções. Foi nesse momento que se acendeu a luzinha para mim, a respeito de “salvar” e “salvar como”. Como me senti bem quando finalmente entendi isso! E fiquei muito feliz por saber que me beneficiaria com esse recurso imediatamente e no futuro, ao usá-lo.


Cristo deseja salvar-nos a todas – cada uma de nós. Mas Ele não quer salvar-nos como somos – carnais e inclinadas a pecar. Deseja mudar-nos para que, por meio de Sua força, nos tornemos mais semelhantes a Ele cada dia. Precisamos, porém, fazer a escolha. Ele não quer “que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9), mas a opção “salvar como” não nos levará para o Seu reino. Ele deseja que escolhamos a opção “salvar”, para abrirmos a porta a fim de que Ele entre e nos transforme à Sua semelhança. Essas mudanças só podem ocorrer mediante a Sua força.


Querido Pai celestial, por favor leva-me para mais perto de Ti cada dia, para que eu aceite a Tua salvação e experimente vitórias em Ti. Então, haverá alegria no Céu por uma pecadora que se arrepende (Lucas 15:7).

 

Sharon Thomas

 



7 de dezembro


Limpeza do Coração


Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Apocalipse 3:20, NVI


Felizmente, posso dizer que moro numa cidade bonita, organizada, arborizada, no interior do país. Minha cidade é conhecida como “Morada do Sol”.


Era de manhã, o Natal estava chegando e eu me encontrava no ônibus, esperando que a porta se abrisse, perdida em meus pensamentos, indo para o centro da cidade. Com o belo Sol a brilhar, as pessoas estavam felizes. Funcionários da prefeitura limpavam a calçada e o asfalto perto do meio-fio, arrancando as ervas daninhas. (Como crescem rapidamente as ervas daninhas, tirando a beleza do lugar, dando uma aparência de sujeira às coisas, fazendo com que pareçam mal conservadas e abandonadas!) Cumprimentei as pessoas que ali trabalhavam, e observei sua dificuldade para remover as ervas daninhas. Foram tentadas muitas abordagens diferentes – usaram ângulos diferentes e várias ferramentas. Mais tarde, com o trabalho feito, que diferença! Como foi que passamos tantas vezes por ali sem nos incomodarmos com aquela cena horrível? A área, agora, estava realmente bonita e limpa!


Vendo a área limpa, entendi o que Deus deseja fazer em minha vida. Tantas vezes permito que as ervas daninhas dos maus hábitos e pensamentos, palavras descuidadas e pecados arraigados tomem conta do meu coração. Tudo isso penetra furtivamente, tornando meu coração feio, sujo, descuidado e abandonado. Por vezes, entendo a situação e tento arrancar as ervas com meu próprio esforço. Mas só posso remover o que está por cima. As raízes permanecem, e logo as ervas crescem outra vez, deixando o coração pior do que antes. Assim como os funcionários, às vezes uso diferentes ferramentas e ângulos, mas as ervas daninhas me desafiam o esforço.


Só quando peço, de verdade, o auxílio do Senhor Jesus, especialista em remover ervas daninhas e expelir coisas ruins, estou usando a ferramenta certa para realmente limpar o coração. Desperdiço muito esforço e tempo. Somente Jesus quer limpar meu coração e só Ele pode! Preciso abrir o coração a Ele, para que entre e mude minha vida inteira. O melhor de tudo é que Ele me torna muito feliz!


Muito obrigada, Senhor, pela lição que aprendi hoje! Vem, Senhor Jesus, remove as ervas daninhas profundamente arraigadas, e torna meu coração a Tua morada para sempre!


Marinês Aparecida da Silva Oliveira

 



8 de dezembro


Presentes “Caros” Custam Pouco


Um presente é como pedra preciosa aos olhos de quem o recebe. Provérbios 17:8, versão King James


Acho que comprar algo para alguém que possui tudo o que o dinheiro pode adquirir tira o prazer de dar um presente com valor monetário. Usando um pouco de criatividade, porém, aprendi que há presentes de valor inestimável que o dinheiro não pode comprar. Cheguei à idade em que minhas necessidades e meus desejos são mínimos, porém ainda recebo presentes bem escolhidos que me dão grande prazer.


Num sábado, uma ex-aluna, agora mulher adulta, colocou o braço ao meu redor e disse: “Pensei em você ontem.” Ela trouxe para a frente o seu outro braço e me presenteou com seis flores de açafrão, suaves, aveludadas, cor de malva, com papel de seda envolvendo os caules. “Lembra-se de que eu costumava trazer-lhe estas flores todas as primaveras, quando era sua aluna?” continuou ela.
Esse gesto bondoso me deixou arrepiada. Os açafrões não eram flores silvestres na região onde cresci, de modo que essas delicadas flores, que abrem caminho pelo chão quase antes que se derreta a última neve, me intrigavam.


Outro dia, quando voltava ao carro após ter trabalhado nos arquivos da escola a manhã inteira, notei um dente-de-leão preso sob o limpador do parabrisa. Aquilo me fez sorrir. Embora os dentes-de-leão sejam ervas daninhas incômodas que procuramos controlar no gramado, essa flor amarela enfeitando o parabrisa assumiu, de repente, o valor do ouro. Ainda preciso descobrir quem foi a pessoa que praticou esse ato espontâneo. Não custou um centavo, mas continua a me fazer sorrir toda vez que vejo um dente-de-leão.


Minha irmã é especialista em fazer surpresas culinárias, de tempos em tempos. Quando volto do trabalho para casa, muitas vezes encontro biscoitos ou batatas fritas crocantes, como vovó costumava fazer, sobre o balcão da cozinha, ainda quentinhas, prontas para a hora da refeição.


Lembro-me daquele inverno em que as escolas fecharam por dois dias, por causa de uma nevasca que bloqueou ruas e as entradas das garagens. Assim que as ruas foram liberadas, meu pai dirigiu 56 quilômetros para desimpedir a entrada da minha garagem. E para coroar esse trabalho de amor, mamãe enviou por meio dele bolinhos cobertos com açúcar e canela.


Pensemos em alguns presentes em forma de tempo ou labor que possamos dar hoje, e que sejam lembrados como um tesouro por alguém, para sempre.


Edith Fitch

 



9 de dezembro


O Amor é uma Escolha


Assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor. Efésios 1:4


Alguma vez você já participou de uma discussão que pareceu penetrar em cada aspecto da vida? Recentemente, me envolvi em algumas discussões em que se debatia se o amor é ou não uma escolha. Essa discussão foi provocada por um guia de estudo da Bíblia que tratava da unidade nos relacionamentos, tanto pessoais quanto espirituais. A gama de debatedores ia desde ministros a obreiros bíblicos, professores de classes bíblicas, leigos e colegas. E parecia não haver meio-termo. Ou concordávamos ou discordávamos com veemência. Pessoalmente, eu defendia que o amor é, sim, uma escolha – no relacionamento com o cônjuge, com membros da família, membros da igreja, amigos ou com Deus.


Quando um homem e uma mulher se casam, eles comparecem diante de Deus e assumem o compromisso de amar um ao outro a despeito de qualquer dificuldade. Deus espera que honremos esse compromisso, conservando o relacionamento puro e imaculado. Isso também se aplica a relacionamentos entre membros da família, membros da igreja e amigos. Satanás tem distorcido esse conceito de amor, usando sentimentos, em lugar da sabedoria divina, como o elemento dominante. Não devemos depender dos sentimentos, porque eles também são enganadores, mas uma escolha pode permanecer como uma “árvore plantada junto a corrente de águas” (Salmo 1:3).


O mesmo conceito se estende ao nosso relacionamento com Deus. Quando nos tornamos cristãos, aceitamos que somos pecadores necessitados do Pai celeste. Fazemos a escolha de amá-Lo. Lucas 16:13 declara que não podemos servir a dois senhores. Podemos honrá-Lo e respeitá-Lo em tudo o que dizemos e fazemos, ou podemos rejeitá-Lo. A beleza do amor de Deus, porém, é que Ele nos permite fazer essa escolha, e deixou o melhor exemplo por meio de Seu Filho unigênito.


Jesus escolheu deixar Seu domínio celeste e tornar-Se nosso Redentor. Escolheu tornar-Se o cordeiro sacrifical. Escolheu ser rejeitado e escarnecido. Quando agonizava no Getsêmani, escolheu a vontade do Pai, de preferência aos próprios sentimentos. Escolheu levar sobre os ombros os pecados de cada ser humano, a fim de que pudéssemos ter a vida eterna. Escolheu ser açoitado e crucificado. Escolheu morrer por nós e tornar-Se nosso advogado celestial. Sim, o amor é uma escolha – uma oportunidade profunda de amar Aquele que nos amou primeiro. Assim, a questão é: Que escolha você fará?


Evelyn Greenwade Boltwood

 



10 de dezembro


Tábuas de Tropeço


E se dirá: “Aterrem, aterrem, preparem o caminho! Tirem os obstáculos do caminho do Meu povo.” Isaías 57:14, NVI


Quando meu neto, Gabriel, tinha uns 2 anos de idade, ele disse algo que me impressionou muito. Um dia, quis ver o vídeo de uma história bíblica da qual gostava. Quando fomos para a sala, ele correu tão rápido quanto suas perninhas permitiam. Ao subir o degrau da cozinha para a sala de estar, tropeçou no piso de madeira e caiu. Quando ouvi o som da queda, corri para ajudá-lo e colocá-lo no colo, confortando-o da melhor maneira para aliviar a dor e fazer passar o susto.


– Ah, vovó – disse ele –, eu quero ir para o Céu. – Quando perguntei por que queria ir para o Céu, ele respondeu: – No Céu não haverá tábuas para me fazerem tropeçar e cair.


Não consegui evitar – dei uma risadinha. Mesmo assim, pensei em suas palavras e fiquei feliz por saber dos seus pensamentos positivos acerca do Céu. Ele queria ir porque lá nada o faria tropeçar e cair.


Quantas vezes temos tropeçado e caído? Ficamos deitadas no chão, feridas, cheias de dor, humilhadas, incapazes de erguer-nos por nós mesmas. Muitas vezes, usamos apenas a nossa força e não conseguimos levantar-nos. Ali ficamos, lamentando nossa situação. Esquecemo-nos de Jesus. Ele não só pode erguer-nos – pode também remover as “tábuas” que nos fazem tropeçar e cair.


Em nossas lutas diárias, muitas coisas nos fazem tropeçar; contudo, se nos apegarmos firmemente à mão de Jesus, não cairemos. Ele é a nossa força, nosso guia fiel durante tempos difíceis. Jesus endireita os nossos caminhos, remove obstáculos, refresca os dias quentes, aquece as noites frias e desfaz as nuvens escuras. Ele é a luz no fim do túnel. É a solução para tudo em nossa vida. Ao Seu lado, nada temos que temer.


Ele não nos abandonará. Certamente virá em nosso auxílio para nos curar as feridas. Jesus nos ama muito. Deseja ver-nos, a todas, no Seu lar eterno, onde não haverá tábuas que nos façam cair. Lá, permaneceremos em pé para sempre, diante de nosso amado Jesus.


Querido Jesus, toma-nos hoje em Tuas mãos – não nos deixes cair. Fortalece-nos em nossas debilidades. Leva-nos para o Céu, onde não haverá nada que nos faça tropeçar. Amém!


Aparecida Bomfim Dornelles

 



11 de dezembro


Menina Legal ou Boa Mulher?


Prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12, NVI


Recentemente, li um livro escrito por Lynne Hybels, intitulado Nice Girls Don’t Change the World [Meninas Legais Não Mudam o Mundo]. Lynne define uma menina legal como aquela que não causa turbulência, alguém que faz o que se espera dela. Uma garota legal ama o Senhor e deseja segui-Lo. Procura ser boa o suficiente para agradar a Deus, mas, ao mesmo tempo, tem medo de permitir que Ele a use como desejar, temerosa de ouvi-Lo de preferência a outras pessoas.


Isso me descreve quando eu era adolescente e adulta jovem. Eu era muito submissa, tentando sempre fazer o que as pessoas na igreja diziam que eu devia fazer para agradar a Deus e ser salva. Eu vivia temendo que Deus me empurrasse para fora da minha zona de conforto.


Com vinte e poucos anos, descobri a beleza da verdade da justificação pela fé, segundo a qual nunca serei boa o suficiente para me salvar, pois Jesus já pagou por minha salvação e a oferece de graça. Ao cultivar uma vida ativa de oração e estudo da Bíblia, entendi que o que Deus deseja de mim é que eu ouça a Ele e agrade a Ele, e não às pessoas. Com a minha mentalidade de garota legal, levou anos para que eu aprendesse a distinguir a voz de Deus das outras vozes, bem-intencionadas, mas insistentes.


Descobri, mais tarde, a verdade companheira da justificação pela fé, que é a graça, e como a graça de Deus me cobre diariamente, e como devo estender essa graça aos demais. Essas duas verdades me ajudaram a deixar de ser uma menina legal para ser o que Hybels considera o oposto – uma boa mulher.


Uma boa mulher conhece seu valor em Cristo, não só na teoria, mas por experiência. E está disposta a seguir aonde Deus a conduza. Para alguém que sempre se apegou tenazmente a uma zona de conforto, esse era um pensamento assustador. Contudo, ao adotar a prática de ouvir a voz de Deus e segui-Lo para fora da minha zona de conforto, mesmo temerosa, essas foram as ocasiões em que cresci, não só na fé, mas também como pessoa. Deus me conduziu ao ministério da mulher contra a minha vontade – eu tinha muito medo de falar em público. Mas, ao segui-Lo, às vezes tremendo (literalmente), perdi esse medo e muitos outros, que me controlavam e limitavam. Tenho-me surpreendido diante das maneiras pelas quais Deus me usa – quando me disponho a deixar minha zona de conforto. Quando você é uma boa mulher, Deus lhe oferece aventuras com as quais nunca sonhou.


Carla Baker

 



12 de dezembro


Turbulências da Vida


Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pelos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação! O Senhor Deus é a minha força. Ele me dá a velocidade da corça e me guia em segurança por sobre as montanhas. Habacuque 3:17-19, BV


A vida é como voar de um ponto a outro. Em algumas viagens, você voa sem passar por nenhuma turbulência; você se sente muito bem e fica feliz. Outros voos passam por turbulências que lhe causam preocupação com a própria vida. Recentemente, viajei de Johanesburgo para Washington, DC, um voo de 18 horas, com apenas uma escala. Tivemos umas 10 horas de voo tranquilo; as outras oito horas foram realmente ruins e me trouxeram preocupação. Eu orava por uma coisa: que Deus sustentasse o avião e o levasse com segurança a Washington. Ele fez exatamente isso, embora tivesse permitido uma tremenda turbulência. Estou falando de turbulência no ar, mas o que dizer da turbulência na vida?


Nessa mesma viagem de Johanesburgo a Washington, eu estava voltando de Zâmbia, meu país natal. Durante a estada de duas semanas em Zâmbia, eu havia cuidado de minha irmã doente. Foi doloroso ver seu estado deteriorar-se a cada dia. Quando pedi que minha mãe viesse para ficar conosco, ela veio imediatamente. Ao ver a condição de minha irmã, que é sua terceira filha, a pressão sanguínea de mamãe disparou. Nos dias seguintes, ela não conseguiu movimentar a perna esquerda, de jeito nenhum. Quando a levamos ao hospital, disseram-nos que ela havia sofrido um acidente vascular cerebral. Bem, Senhor, orei, isto é demais para mim. Minha irmã está doente e agora minha mãe sofreu um derrame. Como esperas que eu administre a situação? Quatro dias depois, minha irmã faleceu. Minha mãe estava tão mal que não pôde assistir ao sepultamento da filha. Essas foram minhas turbulências na vida.


Ao recapitular tudo isso, busquei versos das Escrituras que me animassem e me dessem forças para continuar. Foi aí que encontrei Habacuque 3:17-19.


Seja qual for a turbulência que você estiver enfrentando na vida hoje, continue firme e saiba que a alegria virá pela manhã, e que Deus está com você. Ele a ajudará a passar pelas montanhas com segurança, até o dia em que contemplarmos nosso lar celestial.


Judith Mwansa

 



13 de dezembro


Tanta Coisa Para Fazer


Saberás, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que O amam. Deuteronômio 7:9


Keleen era uma criança feliz que, enquanto crescia, se ocupava brincando e planejando casamentos. Toda vez que seu pai dirigia uma cerimônia matrimonial em nossa casa, ela tomava sobre si a tarefa de dar instruções aos noivos e padrinhos. Colhia flores do nosso jardim e fazia um arranjo improvisado. Às vezes, ela e seu companheiro de brincadeiras, Omar, vestiam-se como noiva e noivo e realizavam a cerimônia deles. Sua ideia fixa eram os casamentos.


Um dia, quando meu esposo procurava ensinar Keleen a ler as horas, ela obviamente estava pensando em alguma outra coisa. Por fim, virou-se para o seu pai e disse: “Papai, olhe só para mim; estou cheia de vida. Não quero que Jesus volte agora. Quero bastante tempo para viver. Se Ele vier logo, não vou terminar a faculdade, nem casar, nem aprender a tocar bateria.” Keleen queria poucas restrições e não desejava ser incomodada com regras e regulamentos. Se Jesus viesse antes de ela estar pronta, haveria coisas demais deixadas para trás sem fazer.


Divertimo-nos com a singela filosofia de vida de uma criança, mas pensemos nisto: somos muito diferentes? Quando alguém nos pergunta: “Se Jesus viesse agora, você estaria pronta?” nossa resposta muito frequentemente é: “Estou procurando me preparar.” Não são as outras coisas a real prioridade em nossa vida?


Tratamos Seu retorno com escassa consideração, como se não quiséssemos que Ele voltasse ainda. Não nos casamos ou não concluímos o curso superior. Não compramos a casa, não fizemos as pazes com o vizinho...


Keleen demonstrou honestidade infantil. E nós? O que desejamos fazer antes que Ele venha? Quais são nossas prioridades? Estamos tão ocupadas com questões terrenas que não conseguimos enfocar as questões espirituais ou concentrar-nos nelas?


Querido Senhor, por favor perdoa-nos quando nos preocupamos com as coisas seculares da vida. Ajuda-nos a colocar nosso foco em Ti, nosso Pai celestial, que nunca está ocupado ou preocupado demais para Se lembrar de nós, porque somos preciosas aos Teus olhos.


Glória Gregory

 



14 de dezembro


Abençoadas


Mas Eu abençoarei aquele que confia em Mim, aquele que tem fé em Mim, o Senhor. Jeremias 17:7, NTLH


Fui a primogênita numa família com oito filhos. Meus pais me deram o nome de Charity que, logicamente, significa amor. Eu me chamo de abençoada, também, pois Deus me conhece por nome, Ele me conhecia antes de eu nascer, e tem estado comigo a minha vida toda. Assim, regozijo-me e louvo Seu nome.


Sou esposa e fico em casa, cuidando dos meus três meninos. Professora do ensino médio por profissão, atualmente sou autônoma como consultora de beleza. No ano passado, quando resolvi ficar em casa com meus filhos, tive algum tempo para me sentar, pensar e entender quem realmente sou. A pergunta em minha mente era: Quem sou eu, na verdade? Quem somos nós, realmente? Somos quem somos por causa do nosso nome? Muitas pessoas na Bíblia recebiam um nome que lhes designava o caráter. Quando Noemi enfrentou aquela aflição toda, pediu que não a chamassem Noemi (ditosa), porém Mara (amargurada).


Muitas vezes, outros nos dizem quem somos ou quem eles acham que somos. Eles nos rotulam. É isso que nos torna quem somos? Nossas experiências também contribuem bastante para a nossa identidade. Através dessas experiências da vida, entendi uma coisa: sou abençoada – somos abençoadas. Deus nos chama abençoadas e deseja que sejamos abençoadas. Quando fazemos de Deus nossa esperança e confiança, somos abençoadas.


Deus tem estado conosco desde o nosso nascimento; lemos que, desde o ventre de nossa mãe, Ele cuida de nós. Ao crescer, fui ensinada sobre o amor de Deus e o temor do Senhor. Confiei em Deus, então, e confio nEle ainda mais agora – e isso me dá o direito de ser abençoada. Somos abençoadas se temos fé nEle, embora jamais O tenhamos visto.


Somos abençoadas com toda bênção espiritual porque pertencemos a Cristo. Somos abençoadas quando as coisas se complicam, pois temos crido que Ele fará o que prometeu. Vemos muitos exemplos disso nas Bem-aventuranças (Mateus 5 e 6): bem-aventurados são humildes, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores e, sim, os perseguidos. Davi nos diz que Deus prepara uma festa para nós na presença dos nossos inimigos. Que bênção! Deus tem tantas outras bênçãos reservadas para nós que nem mesmo conseguimos contá-las uma por uma. Ele jamais Se cansa de nos abençoar!


É isto que somos – abençoadas!


Charity Mwende Nzyoka

 



15 de dezembro


Infinitamente Mais


Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós, a Ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Efésios 3:20, 21


Minha decisão de fazer doutorado foi colocada nas mãos de Deus. Quando a carta de aceitação chegou, eu sabia que o fato de aceitá-la exigia uma obrigação financeira. Minha pergunta foi: “Como vou fazer isso?” Os dias passavam, e eu não chegava mais perto de conseguir o dinheiro para o primeiro ano. No meu local de trabalho, certo dia, clamei a Deus em minha frustração e Lhe disse que eu havia chegado ao extremo. O fim do prazo se aproximava e eu ainda não tinha o dinheiro necessário. A essa altura, lembrei-me de que a batalha (pelas finanças) não era minha – pertencia ao Senhor. Senti o impulso de telefonar para uma consultoria financeira. Decidi pedir um empréstimo para cobrir parte da quantia de que necessitava. Mais tarde, eu decidiria como conseguir o restante. Esse “mais tarde”, porém, era só uma questão de dias.


Fiz a solicitação e fui indagada sobre onde e como eu adquiriria o restante. Como eu não sabia, não pude responder. A funcionária pensou a respeito e depois me fez uma proposta estranha.


– É da sua educação que estamos falando. Vejamos como posso resolver isto.


– Quando é que vou saber se poderia obtê-lo? – perguntei.


– Está vendo as assinaturas aqui em baixo? – respondeu ela. – Isto já está aprovado. Para quando você quer?


– Para ontem! – desejei gritar. Louvei a Deus e agradeci a ela, simultaneamente. Foi então que descobri que ela era cristã. Quando contei a sequência de eventos que me haviam levado ao escritório dela, concordamos em que Deus estava conduzindo as coisas enquanto testava minha fé nEle.


A história não termina aqui. No ano seguinte, eu me encontrava em situação pior, mas sabia aonde ir. Pedi a Deus o Seu milagre e acreditei que Ele o faria novamente. Mais uma vez, Deus provou Sua fidelidade para comigo. Quando um novo funcionário me informou que a instituição havia decidido financiar não só o ano seguinte, mas meus estudos completos, fiquei atônita. Eu não havia pedido um milagre tão grande, nem sequer pensado nele, mas o poder de Deus, que opera em nós, o concedera. Sem Deus, não conseguimos nada. Com Deus, todas as coisas são realmente possíveis.


Brenda D. Ottley

 



16 de dezembro


Mulher de Fé


Porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o Seu nome. A Sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que O temem. Lucas 1:49, 50


Através das gerações, tem havido inúmeros exemplos de mulheres de fé, mulheres que se apegaram a Deus durante seus desafios pessoais, e mulheres que exerceram fé para o bem da família, comunidade e nação. O mundo seria muito mais pobre sem a fé dessas mulheres. Tenho tido o privilégio de conhecer mulheres assim ao redor do mundo, mas gostaria de ter conhecido também algumas das notáveis mulheres de fé da Bíblia. Teremos essa oportunidade no Céu.


Nesta época do ano, é inspirador considerar o exemplo da mãe de Jesus, Maria. Não sabemos que idade tinha – podemos supor que fosse uma adolescente quando o anjo lhe apareceu, mas ela já havia cultivado uma vida de fé. Todas as moças judias devem ter sonhado em ser a mãe do Messias, mas não creio que alguma delas tenha sonhado em ser mãe solteira. Todavia, mesmo depois de ter tido tempo para pensar nisso, ela pôde dizer: “A minha alma anuncia a grandeza do Senhor. O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador” (Lucas 1:47, NTLH).


Muitas pessoas já notaram que o cântico de Maria, conhecido como Magnificat, tem paralelos com o cântico de Ana, em 1 Samuel 2. Isso significa que, numa época em que a maioria das mulheres não sabia ler e não estudava, Maria conhecia bem as Escrituras, o alicerce da fé. Ela também era corajosa. Desafiou os abusos da sociedade dos seus dias: “Ele realizou poderosos feitos com Seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração. Derrubou governantes dos seus tronos, mas exaltou os humildes. Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos” (Lucas 1:51-53, NVI).


Embora Zacarias tivesse duvidado quando o anjo lhe apareceu e anunciou o nascimento de João Batista, Maria parece ter aceitado o que ele lhe disse, apesar de ter perguntado como aconteceria tal coisa – ela sabia como são concebidos os bebês. Sua reação, mais uma vez, foi de fé: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a Tua palavra” (v. 38, NVI). Ela foi um exemplo vivo da verdade segundo a qual “nada é impossível para Deus” (v. 37, NVI). Todas nós podemos crer como Maria – então, todas seremos mulheres de fé.


Ardis Dick Stenbakken

 



17 de dezembro


Muito mais Fé


Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em Mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo. João 16:33


Eu procurava organizar mentalmente minha ocupada agenda, enquanto dirigia pela estrada. Lembrava-me da tristeza na voz do detetive, quando ele telefonou para marcar a hora com minha jovem paciente. Como coordenadora do centro de atendimento a pessoas que sofrem violência sexual, vejo vítimas de todas as idades. Para hoje estava marcado meu encontro com Jessica, uma garota hispânica de 12 anos de idade, que relatara prolongado abuso sexual por parte de seu pai biológico, tendo começado quando ela estava com 4 anos de idade. Como seria ela? Quieta e reservada, por causa da dor que vivia, ou parecendo inabalável, crendo que, ao fingir que estava tudo bem, tudo ficaria bem? Eu não sabia o que iria encontrar, mas, de alguma forma, o terror daquilo que eu estava para ouvir me fez ter vontade de voltar com o carro e ir para casa. Se eu não a conhecesse, quem sabe suas experiências não fossem reais.


Logo me vi face a face com uma pessoa notável, que mudaria minha vida. Quando Jessica entrou em meu escritório, fiquei impressionada com sua beleza. Tinha cabelo longo, escuro, ondulado; grandes olhos escuros; e o sorriso mais incrível. Sentou-se e olhou no fundo dos meus olhos, querendo ver se eu era alguém em quem podia confiar. Depois de conversarmos um pouco, perguntei o que lhe acontecera. Ela começou dizendo: “O que me acontece é muito triste, e temo que vá separar minha família. Mas sei que não posso viver desta maneira. Preciso fazer com que isso pare. Só me sinto muito confusa, porque o amo – ele é meu pai. Mas por que amar meu pai tem que doer tanto?” Enquanto continuávamos a conversa, eu me perguntei: Como pode alguém como Jessica continuar crendo que Deus a ama? Então, falei sobre fé, e me lembrei das palavras de Deus em 1 Pedro 3:12: “Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os Seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.”


Jessica sabe que Deus está atento ao que acontece com ela, mesmo em sua hora mais escura. Minha oração dali em diante foi que Deus me concedesse a força de Jessica; ela tem sofrido muito, mas sua fé permanece forte. Oro para que Deus me ajude a saber o que dizer para levar conforto e paz aos Seus filhos. Também peço muito mais fé. Depois do que tenho visto, a fé é o que me conserva forte, dirigindo pela estrada para conhecer a próxima garota Jessica.


Heidi Bresee

 



18 de dezembro


O Melhor Presente


Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Tiago 1:17


Era tarde da noite quando senti novamente aquela agonia, e me voltei a Deus em busca de alívio para minha dor. Enquanto pensava no Senhor e em Sua graça salvadora, senti paz e forças renovadas. Um desejo intenso de ver a Jesus me dominou. Eu sabia que havia um rolo de gravuras em meu quarto, mas não conseguia chegar até ele. Minhas pernas estavam pesadas demais, e amortecidas. A única figura boa que tínhamos de Jesus havia sido deixada com os prisioneiros na ala dos menores de idade, durante nossa última visita.


Fiz uma oração simples: “Por favor, Senhor, influencia minha amiga Loretta para que me telefone. Ela pode providenciar para que meu irmão Bob me leve à livraria cristã, a fim de que eu compre um quadro de Jesus para pendurá-lo na sala de estar. Preciso realmente de um lembrete de Seu amor maravilhoso cada dia.”


Passei aquela noite dolorida com o Senhor, e Ele me deu paz e alegria. Ele levou minha dor, e pude sair para minha caminhada de oração, às 4 horas da manhã. Mais tarde, fui à clínica para que a enfermeira da universidade, Tolonga, medisse minha pressão e me pesasse. Depois de me examinar, perguntou se ela e sua família podiam visitar-me na sexta-feira à noite e fazer o culto comigo. Fiquei feliz porque viriam para conversar comigo naquele dia. Depois, ela acrescentou que queriam dar-me um presente.


Ela disse: “Simplesmente queremos ir e dar-lhe uma lembrancinha. É um quadro de Jesus. Talvez você queira pendurá-lo na sala de visitas.” Lágrimas de alegria rolaram pelo meu rosto, enquanto eu relatava minha oração para encontrar uma gravura de Jesus.


Por fim, a sexta-feira chegou. Eles vieram e me apresentaram uma caixa grande. Com todo o cuidado, solenemente abri o presente e dei um passo para trás, encantada. O quadro, com moldura dourada, retratava o amável rosto de Jesus, seguindo-me para onde quer que eu me movesse dentro da sala. Fiquei radiante e louvei a Deus por ter usado minha irmã Tolonga para ministrar a mim de um modo muito especial. Deus, o Pai, conhece nossas necessidades. Por intermédio de Tolonga, meu Pai me deu mais do que eu esperava. Que Pai!


Nosso Pai deu o melhor presente do Universo, Jesus, que nos redimiu por Seu sangue. Essa é verdadeiramente a melhor dádiva – algo importante em que pensar, ao aproximar-se o Natal.


Fulori Bola

 



19 de dezembro


Presente Para Você


Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Mateus 7:7


A época do Natal e do ano-novo é geralmente a oportunidade para que pais e amigos ofereçam e recebam presentes. Observei isso num dia 19 de dezembro, enquanto meu esposo e eu retornávamos para casa após um dia quente e cansativo. O harmatão, vento quente e seco, trazendo poeira, havia começado a soprar aqui na África Ocidental. Lembrei-me, de repente, de que não tínhamos pão, e assim meu esposo parou no estacionamento de um supermercado.


Enquanto ele saía para buscar o pão, aproveitei a oportunidade para ler algumas páginas de um livro que conta sobre as maravilhas que Deus realiza na vida dos que confiam em Suas promessas. Mas minha leitura foi interrompida pelas idas e vindas de muitos compradores, com os carrinhos cheios de presentes embrulhados com papel colorido. Observei que a maioria deles era composta por pais; imaginei que estivessem comprando presentes para dar aos filhos no Natal. Havia presentes de todos os tipos, cores e formas. Todos tinham um só objetivo naquele momento: dar o melhor presente.


Enquanto observava, meus pensamentos se dirigiram ao Céu, ao nosso Pai celeste; Ele deseja dar a nós, Seus filhos, os melhores presentes. Pensei: Certamente Deus, nosso generoso Pai, também separou mais de 6 bilhões de presentes para nós. Como nos ama, Ele nos conhece e sabe qual é o melhor presente para cada um. Além disso, nunca nos dará uma serpente quando pedirmos pão. Se Lhe pedimos pão, Ele nos dará não só o pão, mas algo além – quem sabe, um bolo! Que Pai maravilhoso!


Foi isso que Jesus prometeu em Mateus 7:11: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas coisas aos que Lhe pedirem?” Ele disse, inclusive, ao rei Salomão: “Pede-Me o que queres que Eu te dê. Também até o que Me não pediste Eu te dou, tanto riquezas como glória” (1 Reis 3:5, 13). Que presente!


Amorável Pai celeste, aguardo o momento em que receberei e desembrulharei o presente que já me preparaste para o próximo ano – para a glória do Teu santo nome.


Angèle Rachel Nlo Nlo

 



20 de dezembro


Primeira Nevada


Se não [...] vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus. Mateus 18:3


“Vovó, levante-se!” A voz agitada de Bethany me acordou. Ela acendeu a luz e apertei os olhos por causa da repentina claridade. O que deixaria minha neta de 11 anos tão radiante? pensei.


“Está nevando!” exclamou ela. “Venha ver!”


Bem, valia mesmo a pena acordar para ver a primeira neve da estação. Como Ron e eu trabalhávamos na Índia, essa era a primeira vez que eu via neve, depois de nove anos. Afastei os cobertores, calcei os chinelos e fui com Bethany para a janela do quarto do outro lado da sala.


Foi realmente bonito ver a neve caindo, contra a luz da varanda da frente. O mundo todo, lá fora, assumia a aparência de um país das maravilhas. Galhos despidos estavam agora cobertos de branco. A grama marrom estava coberta por um cobertor de neve. Lembrei-me dos dias da minha infância, quando me colocava junto à janela e assistia enquanto a neve realizava sua mágica.


Na manhã seguinte, sorri enquanto uma mancha vermelha passava pela janela e pousava num galho de pinheiro, fazendo com que porções de neve caíssem no chão. Imagino que, ao criá-lo, Deus sabia como seria lindo um cardeal contra a neve branca e ramos verdes.


Mais tarde, observei minhas duas netas, Rachel e Bethany, vestidas e calçadas com botas, luvas e cachecóis, deslizando colina abaixo sobre pranchas. Ah, ser jovem outra vez e deslizar colina abaixo, perto de casa! Como eu gostava, após algumas horas de brincadeira na neve, de entrar na cozinha quentinha e sentir o aroma da sopa de legumes cozinhando no fogão e do pão recém-saído do forno!
Pergunto-me se não precisaríamos de olhos de criança outra vez, para experimentar o encanto da neve sobre ramos desnudos ou a beleza de um cardeal num galho de pinheiro. Pergunto-me se a admoestação de Jesus quanto a nos tornarmos crianças outra vez teria alguma coisa que ver com a inocência da infância, que encontra alegria na neve que acaba de cair, que não vê os problemas que a neve trará a motoristas e pedestres, mas só a diversão ao brincar nela e aproveitar esse momento.


Senhor, ajuda-me hoje a ser mais infantil em minha visão do mundo, na disposição de encontrar alegria no momento e beleza em tudo o que fizeste.


Dorothy Eaton Watts

 



21 de dezembro


Não Era o meu Casaco


Veja, eu gravei você nas palmas das Minhas mãos. Isaías 49:16, NVI


Eu estava fazendo a mudança, de um estado para outro e de um clima para outro. A mudança de Michigan para a Flórida, motivada por minha aposentadoria, teria sido drástica, não fosse o fato de que minha mãe e eu construiríamos juntas a casa dos nossos sonhos, e isso fez toda a diferença.


Sabendo que meus pertences ficariam num depósito por quase um ano, enquanto a nova residência estivesse em construção, mandei meus casacos para a lavanderia a seco, antes de empacotá-los. Quando, finalmente, nos mudamos para a casa nova, fazia muito calor. Não precisaria, então, das roupas de inverno. Na época do Natal, porém, um friozinho bem-vindo nos envolveu.


Vestindo-me para ir à igreja, num sábado pela manhã, abri um saco plástico da lavanderia a seco para pegar meu casaco de lã branca. Seria o acessório perfeito para o meu traje azul. Senti algo esquisito. Olhei para ele. Sim, era o casaco trespassado branco de botões dourados. Sim, era do tamanho certo. Mas não era o meu. Era um parecido, de linho.


Percebi que a lavanderia cometera um erro. Alguma outra pessoa estava com o meu casaco! E agora era tarde demais – e longe demais – para registrar alguma queixa. Como é que o pessoal da lavanderia foi tão descuidado? gemi. Por que não conferiram as etiquetas?


Quase imediatamente, outra pergunta me veio à mente: Como é que pude ser tão descuidada? Por que não conferi a etiqueta, eu mesma? Eu sabia que não podia culpar a lavanderia por sua negligência – eu mesma podia ter conferido a entrega. Em última análise, era eu a responsável pelo desastre.


O incidente não valeu as lágrimas que derramei, mas me levou a questionar minha vida espiritual. Será que me ocupei demais para prestar atenção a pormenores significativos no traje que Jesus me deu? Guardei alguma coisa no depósito como um precioso tesouro, quando na realidade era algo semelhante, mas sem valor?


Indaguei outra coisa: Se Deus me ama o suficiente para gravar meu nome em Suas mãos, sem mesmo usar etiquetas removíveis, o que estou eu fazendo para mostrar meu amor por Ele? No livro O Maior Discurso de Cristo, Ellen White responde à pergunta: “[Ele] não indaga se somos dignos de Seu amor, mas derrama sobre nós as riquezas desse amor, a fim de fazer-nos dignos” (p. 22).


Muito mais importante do que um traje bem combinado e apropriado para o clima é o coração que ele envolve. Graças a Deus, Ele me ajudará a melhorar nesse aspecto!


Glenda-Mae Greene

 



22 de dezembro


A Bíblia de Natal de Benton


Tu respondes às orações, e por isso todos os homens Te procurarão. Salmo 65:2, BV


– Mamãe, venha ver esta Bíblia! – gritou meu filho Benton, do outro lado da loja. Deixei o pano de chão contra a parede e fui ao setor de livros da loja que estávamos limpando. Ali, meu filho me mostrou uma Bíblia que estava à venda.


– Já viu uma Bíblia como esta? – perguntou ele. – Contém um material tão interessante! Tem um dicionário grande, estudos bíblicos e, o mais interessante de tudo, traz também o nosso hinário. – Concordei com o fato de que parecia ser uma Bíblia especial. Tinha até zíper, para impedir que as folhas criassem orelhas. – Eu gostaria de comprar esta Bíblia – disse ele. – Acho que vou começar a economizar para adquiri-la. – A etiqueta do preço era de noventa dólares.


– É melhor começar a economizar – concordei. – Vai levar um tempo até reunir essa quantia.


Duas semanas mais tarde, enquanto limpávamos a loja, meu filho se viu procurando a “sua” Bíblia. Com grande dissabor, viu que a Bíblia se fora. Vendida.


Em geral, a Bíblia não é o que a maioria dos adolescentes de 16 anos deseja, pensei. Se tiver condições, vou comprá-la para ele, como presente de Natal, decidi. Depois de falar a respeito com Lois, a proprietária da loja, ela disse que não sabia se conseguiria outra Bíblia igual àquela – havia sido uma compra especial.


Assim, procurei outra livraria e falei sobre a compra daquela Bíblia para Benton. – Sabe, já procurei obter essa Bíblia para outra senhora aqui da cidade – disse a gerente. – Ela está esperando há mais de três meses. Não consegui ainda. Se a senhora quiser como presente de Natal, não vou dar esperanças. Duvido que esteja aqui para essa data, se é que chegará. – Eu lhe disse que estava bem, e acrescentei: – Já que estou encomendando uma, por que não duas? Tenho um sobrinho que não possui Bíblia, e vou querer uma para ele também! – Ela riu diante da minha persistência.


Não demorou 10 dias até que um caminhão do correio parasse diante da minha casa e me pusesse um pacote nas mãos. O remetente era a livraria. Abrindo o pacote, encontrei não só as duas Bíblias, como uma nota declarando que eu recebera um desconto de 30%. Benton não ganhou apenas a sua Bíblia no Natal, mas a recebeu por aproximadamente 65 dólares. Não foi uma bênção de Deus?


Charlotte Robinson

 



23 de dezembro


O Presente de Natal de Deus


Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. Efésios 2:8, NTLH


Nem meu marido nem eu fomos criados por famílias que enfatizam a troca de presentes. Em nossa casa, os presentes não são a principal expressão de amor – são, isso sim, expressões de consideração. Como nossos familiares são autossuficientes, nosso presente de Natal para eles significa visitá-los, já que todos moram a longas distâncias. Parte de nossas bênçãos natalinas vêm de dar presentes a desconhecidos, doações aqui e ali.


Num Natal, estávamos voltando para casa depois de visitar familiares ao norte de Sidney, Austrália. Depois de dirigir por várias horas, chegamos aos arredores de Sidney na parte sul, onde reabastecemos. Andrew cuidava do carro enquanto eu trocava fraldas e preparava mamadeiras. Ele foi pagar a gasolina enquanto eu acomodava os meninos no banco traseiro. Fiquei intrigada com o que o estaria atrasando, quando o vi parado à porta do quiosque, acenando para mim.


O caixa dizia que a transação com o cartão de crédito fora rejeitada. Tentei meu cartão. Nada. Fazia pouco tempo que começáramos a usar cartões de crédito e mantínhamos cuidadoso controle sobre nossos gastos. Tínhamos escolhido um limite pequeno de crédito e nossas economias estavam a 600 quilômetros de distância. Esse dinheiro não estava disponível no momento, e nenhum de nós tinha dinheiro vivo. Estávamos num beco sem saída. Sair sem pagar é furtar. Sugar a gasolina de dentro do tanque não fazia sentido – e era ilegal.


Saímos da fila. Depois de discutir a questão, reconhecemos que não tínhamos ninguém a quem pedir dinheiro emprestado. A fila estava maior naquele momento. Uma senhora que acabara de chegar e era a última na fila virou-se e pediu que explicássemos o problema. De repente, ela estava na frente da fila, dizendo ao caixa que pagaria a nossa gasolina também. “Afinal de contas, é Natal!” disse ela. Ela nos deu seu endereço, e lhe devolvemos o dinheiro e algo mais, quando chegamos à nossa casa. Refletindo, mais tarde, descobrimos nossa relutância em aceitar favores e presentes. Pensamos na dádiva de Jesus e em nossa insistência em “comprar” o presente que Ele só quer que aceitemos. Receber presentes de estranhos é uma experiência que exige humildade. “Comprar” a dádiva da salvação é uma abordagem arrogante à divina graça – favor imerecido. Diminuímos o presente se tentamos “merecê-lo”.


Bridgid Kilgour

 



24 de dezembro


O Presente de Amor


Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus. Mateus 5:16


Era sábado de manhã, dia 25 de dezembro. A temperatura estava abaixo de zero e os galhos das árvores indicavam que o movimento do ar só não era calmo. Ah, como eu havia esperado por aquele clima!


– Mamãe, a que igreja vou levá-la hoje de manhã? – perguntou meu filho, enquanto eu me vestia.


– Dupont – respondi, otimista, sabendo que o inverno não é sua estação preferida do ano. Ele me havia informado na noite anterior que não poderia ficar para o culto.


Quando me deixou na frente da igreja, ele disse que me buscaria logo que eu telefonasse. Meu entusiasmo espiritual me levou para outro nível, enquanto ouvia o organista agraciar-nos com variações do Messias, de Haendel. O regente convidou a congregação a cantar o coro de “Aleluia” junto com o coral. Eu vibrava, a ponto de transbordar. Cantei com todo o coração e saboreei cada minuto.


Após o culto, telefonei ao meu filho para dizer que o programa tinha acabado. Fiquei sabendo que ele não poderia vir imediatamente. Enquanto esperava, notei que um dos diáconos trancava as portas. Quando chegou ao vestíbulo, apresentou-se como o irmão Miller e perguntou se eu estava esperando alguém. Expliquei minha situação e esperei que ele me dissesse que esperasse do lado de fora. Em vez disso, ele disse que sua esposa o aguardava dentro do carro, e eles teriam o prazer de me deixar em minha casa, embora eu lhes tivesse explicado que ela ficava a pelo menos meia hora de distância da igreja.


A caminho, fiquei sabendo que o casal Miller tinha um convite para almoçar dentro de meia hora – na direção oposta. Fiquei contente com a carona, mas me senti culpada por tê-los desviado tanto do seu caminho. Eu quis pagar, mas eles recusaram meu oferecimento.


Perguntei a mim mesma: Estou deixando minha luz brilhar, para que os que entram em contato comigo vejam minhas boas obras e glorifiquem a meu Pai que está no Céu? Deus usou o irmão e a irmã Miller para realizar esse ato de bondade e, como resultado, Dupont será sempre a minha igreja longe de casa. Agradeci ao casal Miller a boa ação, mas dei a Deus toda a glória e todo o louvor.


Pai, ajuda-me a estender a outros o Teu presente de amor.


Cora A. Walker

 



25 de dezembro


Boa Vontade o Tempo Todo


Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens! Lucas 2:14, ARC


“Vocês comemoram o Natal?” perguntou minha amiga Wendy. Isso me fez lembrar de minha avó Kate. Vovó costumava mandar que eu levasse presentes de todo tipo para seus amigos, vizinhos e parentes. Aos 6 anos de idade, eu detestava fazer isso, e uma vez lhe perguntei por que ela não esperava até o Natal, para dar presentes assim como os outros faziam. Mas ela disse que acreditava que todos os dias deviam ser o Natal, porque a mensagem de paz e boa vontade de Cristo devia ser 24 horas por dia, sete dias por semana, não um evento de um dia só ou uma época do ano. Além disso, vovó dizia que esperar o Natal para dar aos outros não é suficiente. Como os necessitados sobreviveriam ao longo do ano? E como se sabe quem estará vivo no Natal seguinte? Por que não fazer pelos outros o que podemos fazer agora, em vez de esperar um dia ou época especial? Continuei ajudando a vovó até o seu falecimento. Então, me lembrei disso quando Wendy me perguntou se eu acreditava no Natal. E lhe contei o que vovó dizia.


Quase sempre, as pessoas dão os melhores presentes aos amigos e parentes; até os pobres procuram partilhar o pouco que têm no Natal. Já li sobre soldados em batalha que depõem as armas no Natal, só para continuar guerreando depois que o dia acaba. Você acredita? Se aceitássemos o que vovó dizia, se a mensagem de boa vontade fosse 24 horas por dia, sete dias por semana não haveria guerra. As pessoas dariam presentes, auxílio e bondade aos outros sem olhar o calendário. Você imagina como seria o mundo se todos acordassem e pensassem no que fazer para tornar os outros felizes? Como seria lindo se todas as armas fossem depostas para sempre?


“Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35), disse Cristo. Vovó entendeu certo: o Natal deve ser 24 horas por dia, sete dias por semana, não somente no dia 25 de dezembro. Moisés fez este lembrete ao povo de Deus, quando disse: “Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas cidades, na tua terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás as tuas mãos a teu irmão pobre” (Deuteronômio 15:7).


Meu Jesus, graças Te dou por esta maravilhosa mensagem de amor. Por favor, ajuda-me a fazer o pouco que posso para espalhar seu real significado àqueles que eu encontrar nos dias restantes da minha vida.


Mabel Kwei

 



26 de dezembro


Você Está Preparada?


E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. [...] E haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mateus 24:6, 7


O dia 26 de dezembro de 2004 certamente entrará para a História. O Natal acabara de passar. A maioria das pessoas que ficaram no campus do colégio parecia desconhecer o que ocorria em vários países sul-asiáticos. Meu esposo e eu tínhamos os olhos grudados na tela da TV por causa da notícia do terremoto devastador de 9.0º que atingira o sul da Ásia. Além das notícias sobre o terremoto, veio o catastrófico tsunami, arrasando muitos países ao redor do Oceano Índico: Índia, Sri Lanka, Seychelles, Somália, Maldivas, Austrália, Malásia e até os mais populares resorts junto à praia, na ilha de Phuket, Tailândia.


Justamente antes que ocorresse essa destruição em massa, eu dissera ao meu esposo que o mundo simplesmente não iria longe com todas as guerras, violência e fomes. Quanto tempo mais resistiria este planeta? Mas fomos avisados com antecedência, através das Escrituras, que esses desastres viriam antes do tempo do fim. E agora um mortífero terremoto era seguido por tsunamis poderosos. Enquanto ouvíamos o noticiário naquela manhã e víamos a destruição de centenas de milhares de pessoas e propriedades, pensamos nos sobreviventes cujos familiares haviam sido levados pelo maremoto. Que tragédia! Sem lar. Sozinhas. Sem saber como seria o futuro. Exatamente assim. Os trágicos eventos vieram muito repentinamente, sem aviso. Os veranistas haviam ido às praias para recrear-se, quem sabe aproveitar merecidas férias – e a tragédia aconteceu. As vítimas não sabiam que aquele seria o fim de seu tempo sobre a Terra. Pais perderam filhos, e filhos, os pais. Muitos perderam o cônjuge; centenas de milhares perderam a casa e tudo o que nela havia.

Que solene pensamento!


A Bíblia fala do iminente fim do mundo. Nosso Deus nos deu a mensagem da crise vindoura, vez após vez. E quem estará pronto quando Seu Filho vier novamente? Estou preparada para esse grande evento? Será o mais espetacular; todo olho o presenciará, e todo ouvido o ouvirá. Quero fazer parte do grupo que haverá de dizer: “Este é o nosso Deus, [...] e Ele nos salvará” (Isaías 25:9).


Ofélia A. Pangan

 



27 de dezembro


O Presente Máximo


Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16


No último Natal, meus filhos ganharam de alguém um vale-brinde no valor de 50 dólares, de uma loja que eles normalmente não frequentam. Tratei os vales-brindes com indiferença, sem considerar seu valor.


Um dia, quando estava saindo para ir ao shopping, perguntei ao meu filho mais novo pelo seu vale-brinde, a fim de procurar algo para ele. Quando ele estava para entregá-lo, meu filho mais velho quis pegá-lo, mas eu o segurei e o enfiei dentro do bolso da minha jaqueta.


Cuidei de alguns compromissos e depois decidi ir ao shopping. Pus a mão dentro do bolso da jaqueta e, para meu espanto, o vale-brinde não estava lá. Até aquele momento, era apenas um vale-brinde, mas agora entrei em pânico – eu perdera 50 dólares! Refiz meus passos, mas ninguém tinha visto o “dinheiro” perdido. Fiquei desesperada e corri para casa, para passar um pente-fino por tudo, inclusive a garagem, na esperança de que tivesse caído do meu bolso. Em vão. Não estava em lugar nenhum. Agora eu devia 50 dólares ao meu filho.


Deus me ensinou uma valiosa lição naquele dia. Eu havia passado por alto o fato de que alguém se importara com meus filhos a ponto de dar-lhes um presente. Eu havia considerado aquilo sem importância – até perdê-lo.


Deus Se importa tanto conosco que nos deu um presente especial, um presente cujo valor muitos não apreciam. Deus enviou Seu Filho unigênito para morrer por nós, a fim de não precisarmos provar a morte uma segunda vez. O que isso significa é que Deus reconheceu a magnitude do pecado, e que o salário do pecado é a morte. É isso que merecemos, já que todos nascemos em pecado e fomos formados em iniquidade. Nosso Pai celestial traçou um plano de redenção infalível, e agora somos pecadores salvos pela graça, a graça de Deus.


A divindade assumiu a humanidade e veio à Terra como bebê, para ser tentado como nós somos, mas sem pecado. Foi escarnecido e açoitado por você e por mim. Carregou aquela rude cruz e sentiu os cravos nas mãos e nos pés. Tornou-Se o Cordeiro que foi morto. Seu sangue pagou o resgate, pagou-o todo, por nós. Não podemos pôr uma etiqueta de preço naquilo que Ele fez para nos redimir. Esse presente não tem preço.


Sharon Long Brown

 



28 de dezembro


Habilidade Para Sobreviver


O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre. Salmo 121:7, 8, NVI


Meu esposo, Luka, é um hábil fruticultor. Em volta do nosso conjunto residencial, há algumas variedades de bananeiras, das quais ele cuida com esmero. Ele as rega durante a estação seca e cobre os cachos de banana para afastar delas os morcegos frugívoros e os corvos. As aves da região gostam de comer bananas verdes.


Há uma determinada variedade de bananeira que produz um cacho longo – normalmente chega a mais de 60 centímetros – cheio de bananas grandes. Uma banana é suficiente para manter uma pessoa satisfeita o dia inteiro. Sua temporada, geralmente, é por volta de outubro e novembro, a mesma época em que as aves têm seus filhotes. Um pássaro, em particular, gosta de vir e fazer ninho sobre o enorme cacho de bananas, camuflando-se da cor do saco usado para envolver as frutas.


Num domingo de manhã, Luka preparava-se para limpar as bananeiras junto à estrada e ver se o cacho maior estava pronto para ser colhido. Assim que ele se aproximou da árvore, um pássaro voou sobre ele em círculos e pousou na grama, ali perto. Fez muito barulho. Meu esposo ficou parado e observou a ave. Ela, então, mancou como se estivesse com a perna quebrada, estendendo por completo a asa esquerda, enquanto a outra ficava meio dobrada, como se tivesse sido arrancada. Luka observou o pássaro executando esse drama, e continuou em direção à bananeira. Quanto mais se aproximava da árvore, tanto maior era o estardalhaço do pássaro e mais dramática se tornava sua encenação.


Luka parou junto à árvore e olhou de perto o cacho de bananas. Ali estava um ninho, e dentro dele duas avezinhas implumes abriam o bico amarelo, esperando comida. Ele entendeu imediatamente que o pai não estava ferido, mas havia simulado habilidosamente um ferimento para distrair Luka e afastá-lo dos filhotinhos. A ave não poupara esforços para proteger a prole.


Fico feliz e satisfeita ao saber que Deus nos protege todos os dias, que Ele Se mantém vigilante sobre nós. Podemos colocar nEle a nossa confiança. O inimigo pode vir para ameaçar-nos a vida, mas a promessa e a presença de Deus estão sempre conosco. Ele executou o maior ato de amor quando deu Seu Filho para morrer no Calvário em favor de nosso destino eterno. Submetamo-nos a Ele.


Maranata Titimanu

 



29 de dezembro


Sem Acesso à Internet


Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça. Mateus 6:33


Algum tempo atrás, durante uma viagem ao exterior, eu me vi sem acesso à internet por 10 dias. Até que isso acontecesse, eu não sabia, realmente, o quanto dependo da tecnologia. Foi um período de desgosto para mim, e fiquei bastante frustrada. Não havia percebido que a internet era parte tão integral da maneira como me comunico com os outros, e também nunca havia percebido como me sentiria amarrada sem ela. Eu me desgastava com a ideia de não poder manter contato com familiares, amigos e a equipe do escritório, sem mencionar os muitos e-mails que se acumulavam à espera da minha resposta.


Na viagem de retorno para casa, fiquei pensando em quão feliz me sentiria ao me conectar com essas pessoas novamente. Meus sentimentos de frustração davam lugar a sentimentos de alegria e ansiosa expectativa, à medida que me aproximava de casa e do acesso à internet outra vez.


Então, meus pensamentos se volveram para o meu relacionamento com o Pai celestial. Lembro-me de ocasiões em que não me comuniquei com Ele com a frequência com que deveria, e das vezes em que deixei que os eventos da vida ditassem como e quando eu passaria tempo com Ele. Toda vez que isso acontecia, eu tinha uma boa razão para não poder comunicar-me com Deus: ia dormir tarde, não me sentia bem, estava ocupada fazendo coisas relacionadas com a igreja – tudo isso estava certo, mas eram desculpas.


Ao relembrar essas ocasiões, o principal sentimento é o de culpa diante da minha negligência, mas não eram os mesmos sentimentos de frustração, solidão e infelicidade que senti quando fiquei sem acesso à internet. Por quê? A resposta era óbvia, mas não era uma que eu quisesse aceitar. A verdade era que meu relacionamento com Deus não era a prioridade máxima da minha vida, pois, se fosse, o fato de não separar tempo para um contato significativo e diário com Ele teria causado em mim muito desgosto e solidão.


Pedi que Deus me ajudasse a nunca me esquecer de quão importante Ele é em minha vida. É uma luta diária buscar a Deus em primeiro lugar, mas as recompensas valem a pena. A sensação de paz e coragem que Deus me dá para enfrentar cada dia, a alegria que recebo em meio a provações e, mais que tudo, o conhecimento de que Deus caminha sempre ao meu lado, faz com que eu me volte a Ele vez após vez. Muitas de vocês estão lutando com o mesmo problema, porém não desistam, jamais. Deus conhece o seu coração e lhes dará a força necessária para permanecer em contato com Ele.


Heather-Dawn Small

 



30 de dezembro


A Certeza do Amanhã


“Não tenha medo deles, pois Eu estou com você para protegê-lo”, diz o Senhor. O Senhor estendeu a mão, tocou a minha boca e disse-me: “Agora ponho em sua boca as Minhas palavras.” Jeremias 1:8, 9, NVI


Meus dias estavam repletos de grandes dúvidas e ansiedade. Eu não conseguia tomar uma decisão: devia deixar um emprego estável, financeiramente sólido, para ir atrás do desconhecido e da oportunidade de crescer profissional e espiritualmente? A motivação e o entusiasmo com a vida me fugiam. O ano chegava ao fim e eu queria que o novo ano fosse diferente. Assim, orei: “Senhor, tudo está bem, mas sinto um grande vazio. Sei que estás comigo. Por que não sou feliz com o que tenho?”


Por que nos envolvemos tanto neste mundo? Por que nos preocupamos com nossas atividades diárias – com a casa, a roupa, o supermercado, a educação dos filhos? Muitas vezes, as coisas mais importantes passam por nós, como brincar com os filhos ou simplesmente conversar com uma vizinha ou amiga. Houve ocasiões em que achei que não conseguiria ir em frente.


“Muitas vezes, Senhor, precisei apoiar-me nos Teus amorosos braços, a fim de crer que poderia vencer. Ao Teu lado, Pai, as lutas da vida parecem mais fáceis e meu coração se acalma. Somente contigo posso ver o amanhã. Não sou exatamente o que desejo ser. Todavia, tenho certeza de que sou quem eu sou porque vives em mim. Todas as minhas boas qualidades existem graças a Ti, e os defeitos que ainda persistem se devem ao fato de me apegar a eles, impedindo que me transformes.


“Sei que me compreendes e sabes que é difícil humilhar meu espírito; entretanto, devagar, estou conseguindo. És paciente e bondoso. Sei que ainda tenho a oportunidade de ser melhor cada dia, mesmo que o progresso seja pequeno. Estou perto dos 50 anos, Senhor; ainda tenho muitos desafios. Não posso me acomodar e me aposentar – preciso de atividade. Por favor, dá-me um sinal quanto ao que devo fazer. Por favor.”


No dia seguinte, abri uma gaveta na qual estava uma Bíblia. Quando a tirei dali, ela caiu aberta no texto de hoje, escrito pelo profeta Jeremias. Era a resposta que eu havia pedido. Agradeci a Deus, porque agora tinha forças para tomar minha decisão.


Preciso mudar, Senhor, e agora sei que estás comigo. Para onde quer que me mandares, irei. Tenho certeza de que o novo ano será diferente, porque estarás comigo.


Maria de Lourdes Fernandes

 



31 de dezembro


Experiências Animadoras


Não fui Eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar. Josué 1:9, NVI


Gosto muito de ouvir sermões, mas apresentar um sermão, eu? Não! Isso não é para mim. Entretanto, várias vezes fui solicitada a dirigir um culto em nosso círculo doméstico de estudo da Bíblia. Depois de algumas fatigantes tentativas, decidi que assistiria a um seminário. Após dois dias de teoria, fomos estimulados a produzir um sermão, começando com um verso bíblico dos Salmos. Deram-nos um dia para isso. Na sexta-feira à noite, cada um de nós apresentaria sua meditação diante do pequeno grupo. Com a Bíblia, a concordância, um lápis e muito papel, comecei minhas reflexões. Com grande surpresa, percebi quanta alegria aquilo me dava. Estudei até tarde naquela noite e durante todo o dia seguinte, anotando meus pensamentos.


Por fim, devíamos apresentar nossas ideias no púlpito. Eu me sentia um tanto nervosa. Li o texto muito rapidamente, e mal olhei para cima. O instrutor tomava notas durante as apresentações, mas não fez comentários. Só depois que todos se haviam apresentado, ele partilhou conosco suas observações. O que viria depois? Disseram que três de nós haviam sido escolhidos para apresentar suas meditações no sábado, na hora do sermão – diante de mais de 100 pessoas! Meu coração quase parou, porque fui uma das três. Agora eu estava realmente nervosa. Não me achava capaz de cumprir o compromisso, mas os líderes me animaram. Nós oraríamos e Deus ajudaria. Não consegui dormir metade da noite. Estava tão nervosa que, mesmo na igreja, tinha dificuldade para respirar. Não conseguia entender por que Deus não me concedia calma.


Nós três nos dirigimos ao púlpito e fomos brevemente apresentados. Fui a última a falar e, quando me encaminhei ao púlpito, meus joelhos tremiam. Não sabia se conseguiria pronunciar uma palavra. Então, o milagre aconteceu. Quando comecei a falar, meu nervosismo sumiu. Foi como se eu nunca tivesse feito outra coisa. Com voz clara e olhando raras vezes para as anotações, apresentei minha mensagem, encerrando com um testemunho pessoal.


O fato de Deus ter tirado meu nervosismo foi uma experiência muito especial e fortaleceu minha confiança nEle. Depois disso, apresentei várias reflexões e também participei de dois seminários sobre pregação. Por causa da ajuda de Deus, desejo começar a pregar Sua Palavra em breve.


Gerti Weck